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A Semente da Confrontação: a Guerra de Mixtón

Durante o período de 1520-1531 foram edificadas várias cidades sobre os restos da civilização asteca, duas das mais importantes foram Nova Espanha e Nova Galícia, esta última ocupava os atuais estados de Jalisco, Colima, parte de Zacatecas e Nayarit.

O conquistador Nuño de Guzmán se encarregou de usar a força em vários povos sedentários e nômades do norte da Nova Galícia. Guzmán ficou caracterizado pelo seu excessivo uso da força contra os nativos, assim como por seus letais castigos contra aqueles que resistiam a ser escravizados.

Durante anos o conquistador trabalhou fielmente para a coroa e a religião católica, e embora suas ações contra os índios tenham lhe custado a prisão, a memória dos acontecimentos persistiu na mente dos aborígenes até o dia em que começou a rebelião.

Já em 1541 com os nativos cansados dos abusos e decididos a defender seu modo de vida, suas crenças e suas terras ancestrais, começaram a se rebelar, inicialmente evitando assistir as missas. Seu descontentamento foi maior quando soldados enviados por frades autorizaram levar os rebelados à força até a igreja, foi aí que muitos nativos sedentários abandonaram os povoados dos espanhóis e se refugiaram nas montanhas, adaptando-se novamente à vida de caçadores-coletores seminômades. Nas montanhas se encontraram com mais e mais indígenas que tinham decidido fazer o mesmo. Assim, após várias reuniões entre tribos e liderados por vários “tlatoanis”, a rebelião generalizada começou. Ao grito de “¡Axcan kema, tehuatl, nehuatl!” (Até tua morte ou a minha), os grupos de originários armados atacaram soldados espanhóis, queimaram conventos, igrejas e pequenos povoados, armaram emboscadas, mataram frades, cidadãos espanhóis, negros, mulheres, mulatos, indígenas aliados dos brancos, gados e cavalos.

Na rebelão participaram coras, huachichiles, caxcanes, zacatecos, guamares, guainamotas, tepehuanes, irritilas, huicholes, entre outros.

Depois de vários ataques os guerreiros se unificaram no Monte de Mixtón, de onde atacavam as cavalarias espanholas que eram enviadas pelo governador de Nova Galícia, Critóbal de Oñate. Por sua vez, frades missionários subiam o monte para tentar se envolver em negociações e assim alcançar a paz por meio de pregações religiosas. Segundo as crônicas, o franciscano Juan de Calero tentou dialogar com os rebeldes com sua bíblia na mão quando um deles respondeu furiosamente “Já não nos pregará mais coisas do céu nem do inferno, não queremos tua doutrina!”, depois destas palavras mencionadas no idioma dos selvagens eles o atacaram e mataram-no com flechas e lanças.

Fernán Gonzales de Eslava descrevia os bárbaros da seguinte forma: “dentro de seu furor indescritível são aprisionados todos os males, e com flechas infernais não deixam vivos nenhum dos missionários viventes”.

Devido a grande maioria dos ataques que lançaram os europeus contra os rebelados de Mixtón terem fracassado, e advertido porque estes haviam tomado várias cidades (inclusive a própria cidade de Guadalajara), Oñate mandou chamar o capitão Diego de Ibarra, experto em estratégias militares. Este tratou de sitiar os rebeldes em raras ocasiões, mas nenhuma delas deu resultado mais do que já era esperado: cavalos flechados, soldados mortos e os vivos muito desmoralizados, tanto pelas perdas como pelas piadas que os rebelados faziam com eles lá do topo da colina após as batalhas.

Mas os nativos tinham algo guardado para Ibarra e seus homens, um golpe tão forte que iria abalar até mesmo o vice-rei de Nova Espanha, Antonio de Mendoza e a todo o Conselho das Índias.

Em 9 de abril de 1541, conhecendo os ciclos naturais e tendo o selvagem a seu favor, os nativos aproveitaram a aparição de um eclipse solar para surpreender aos brancos e matar a grande maioria.

Este golpe foi tão forte que o próprio vice-rei solicitou a presença de um conhecido conquistador, aquele que na época havia sido capitão de Hernán Cortes, quem havia ajudado fortemente a derrotar totalmente os guerreiros águia e jaguar que protegiam Tenochtitlán, só que por sua própria arrogância e megalomania ele cairia ante os pés descalços dos selvagens de Mixtón. Estamos falando de Pedro de Alvarado.

Alvarado confiante de que poderia controlar a situação decidiu ir diretamente junto com seus homens, unindo-se com os de Ibarra, ao Peñol de Nochistlán, outra colina onde os rebeldes haviam se fortalecido bastante. Alvarado não esperou reforços e lançou-se em sangrentas batalhas, as quais dia a dia foram ganhando e resistindo aos guerreiros nativos.

Em 24 de junho, durante uma grande batalha nas florestas do Peñol de Nochistlán, as flechas, lanças e as pedras fariam correr os espanhóis liderados por Alvarado. Aos gritos dos selvagens, sua atitude hostil e aparência agressiva seus homens ficaram fora de controle gerando um bolo humano durante a retirada, uns esmagando os outros costa abaixo. Em meio a isso Alvarado também foi afetado, recebeu várias feridas resultado das fortes flechas que os selvagens haviam projetado exclusivamente para perfurar as armaduras espanholas. Seu cavalo caiu sobre ele e fraturou-lhe várias costelas, deixando-o estendido no chão gravemente ferido.

Em 4 de julho Alvarado morreria devido aos ferimentos causados na batalha de Nochistlán. Ele havia perdido uma batalha contra aqueles quem catalogavam como primitivos inexperientes em batalhas. Alvarado pôde naquela época matar os melhores guerreiros da elite militar asteca, mas não teve chances contra os indomáveis caçadores-coletores.

Este foi mais um duro golpe para os brancos que realmente viam seu reino em perigo latente. O vice-rei Mendoza, inquieto e extremamente preocupado com as perdas, e porque a rebelião havia se espalhado até Michoacán, onde vários purépechas tinham pegado em armas junto com os (teo) chichimecas, mandou que fosse agrupado o maior número de indígenas aliados para combater a seus parentes étnicos. Com isso centenas de mexicas, tlaxcaltecas, xilotepecas, huejotzincas, etc., foram misturados ao exército espanhol para exterminar os rebeldes. As crônicas contam que mais de 50 mil homens foram os que atacaram ferozmente os rebeldes e os fizeram recuar das cidades que já haviam sido tomadas. Os selvagens tanto de Mixtón como de Nochistlán também caíram pelos numerosos ataques dos espanhóis e seus aliados indígenas, em 1542.

O extermínio foi inevitável. Assim terminaria mais um episódio da resistência nativa contra a civilização e o progresso. Muitos dos selvagens guerreiros morreram em batalha porque não estavam dispostos a negociar sua liberdade nem em aceitar os mandatos dos novos governantes, preferiam morrer negando os costumes e as crenças dos estranhos. Aqueles que sobreviveram deram seguimento a suas ações hostis, mas com menos impacto do que o levantamento generalizado. A chama do conflito seguia ardendo neles, a Guerra de Mixtón apenas seria o começo de algo maior; a Guerra Chichimeca, o maior e mais sangrento conflito nativo e de maior duração em toda a América do Norte, no qual oficialmente duraria mais de 50 anos.


O Mito do Veganismo

“O veganismo é uma filosofia de vida que exclui todas as formas de exploração e crueldade para com o reino animal e inclui uma reverência pela vida. Na prática se aplica seguindo uma dieta vegetariana pura e incentiva o uso de alternativas para todas as matérias derivadas parcial ou completamente de animais”.

– Donold Watson, membro fundador da Vegan Society (Sociedade Vegana).

Este pequeno texto não questionará a irracionalidade das ideias e valores (2) da filosofia vegana. Nesta ocasião demonstraremos que o veganismo é um mito na Sociedade Tecno-industrial e como é um obstáculo para entender e atuar pela verdadeira Libertação Animal (3).

O veganismo é um mito. Nada nem ninguém é vegano dentro da moderna Sociedade Tecno-industrial. No entanto, são muitos os ingênuos que acreditam neste mito e que creem que seus alimentos, vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, aparatos tecnológicos, livros, música, bikes… e todo o lixo industrial que consomem compulsivamente é, segundo eles, “vegano”.

Mas na realidade é bem diferente disso. Todo esse resíduo industrial denominado “vegano” não poderá conter materiais de animais não-humanos, ok, mas, na verdade, contém… ou melhor dizendo, de fato colaboram com a exploração animal, humana e não humana.

Então se retomarmos nossa definição anterior de veganismo, “… uma filosofia de vida que exclui toda forma de exploração e crueldade para com o reino animal…”, é evidente que não é coerente com a filosofia porque contribui com a exploração sistemática do reino animal, logo, o veganismo é um mito.

Os autodenominados “veganos” são muito ingênuos ao não analisar, questionar e entender o funcionamento da complexa realidade e do grande complexo sistema social em que vivemos.

Todo alimento ou produto que provenha da moderna Sociedade Tecno-industrial não está livre de colaborar com a exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

As sementes, frutas e verduras que produz e distribui a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas já que a moderna agricultura industrial necessita de:

a) desmatar grandes extensões de terra fértil para aproveitar a fertilidade deste solo e convertê-lo em um campo de cultivo. Desmatar significa; destruir o ecossistema que ocupava este solo. Deve-se cortar ou incendiar a vegetação deste ecossistema e em seguida é necessário assassinar, capturar, domesticar, deslocar ou até extinguir as diferentes espécies de animais deste ecossistema. Isso aniquila todas as complexas relações e interações que mantinha esse ecossistema consigo mesmo (ecossistema e habitantes) e a relação que esse ecossistema mantinha com outros ecossistemas e com o planeta em geral.

b) já que se tem o campo de cultivo pronto, se necessita de camponeses que trabalharão a terra, há a necessidade de suas ferramentas (máquinas ou animais não-humanos de trabalho), se necessitam as sementes (nativas ou transgênicas) que serão semeadas, se necessita o fertilizante (natural ou industrial), se necessitam inseticidas (naturais ou industriais), se necessita a água para irrigação, etc…

E uma vez obtida a colheita ela é vendida a intermediários, eles a transportarão, armazenarão e distribuirão, até que finalmente esta semente, fruta ou verdura chegará ao estabelecimento comercial onde os “veganos” farão suas compras.

Então para poder realizar todo este processo é necessário utilizar a grande e complexa divisão do trabalho da moderna Sociedade Tecnológica, e em todas estas grandes complexas relações existe exploração e domesticação sistemática do reino animal e ambiental.

Alguns “veganos” poderão argumentar em sua defesa que as sementes, frutas e verduras que consomem não são de origem industrial, mas de hortas orgânicas, ok, mas se esta horta utiliza tecnologia moderna para a produção, armazenamento e distribuição de seus alimentos e se para poder adquiri-los há circulação de dinheiro, inevitavelmente continua colaborando com as dinâmicas de exploração e domesticação sistemática, animal e ecológica.

Talvez, as sementes, frutas e verduras realmente veganas são as que colheriam cada indivíduo com técnicas como; a permacultura ou jardinagem orgânica, e com o uso de ferramentas ou tecnologia simples, já que apenas assim deixaria de depender do Sistema Tecno-industrial e haveria uma renúncia a seus mecanismo de poder, controle, domesticação e exploração sistemáticos, mas a maioria dos autodenominados “veganos” não plantam seu próprio alimento.

Os autodenominados “veganos” dependem da moderna Sociedade Tecno-industrial para poder levar a cabo sua dieta. Na Natureza Selvagem nenhum animal determina de que maneira se alimentará, isso em grande parte quem determina é o entorno natural no qual se desenvolve. A dieta onívora dos animais humanos não foi uma escolha, mas uma necessidade de sobrevivência, um requisito para poder sobreviver em distintos entornos, comer o que houver, o que se possar comer. O organismo humano não é especialista, é oportunista, e sua dieta onívora é uma prova disso.

O animal humano domesticado em sua jaula civilizada é quem é capaz de decidir como se alimentar (dieta vegetariana, vegana, frugívora ou carnívora), mas para que isso seja possível é necessário colaborar e manter sua condição de animal humano domesticado a serviço do progresso do Sistema Tecnológico.

Nenhum vegetariano, vegano ou frugívoro com este tipo de dieta sobreviveria como o animal humano realmente livre deveria ser no entorno onde deveria se desenvolver (Natureza Selvagem).

A maioria dos autodenominados “veganos”, talvez, não se considerem a si mesmos como o que realmente são: animais humanos.

E também é bem verdade que aqueles que lutam pela “Liberação Animal” não lutam por sua própria Liberdade Individual Selvagem e não questionam nada sobre sua própria condição de animais humanos domesticados.

Se as sementes, frutas e verduras que nos oferece a moderna Sociedade Tecno-industrial não são veganas, muito menos seus demais produtos nocivos de origem industrial são: vestimenta, calçado, produtos de higiene e beleza, livros, música, bikes…

Uma análise similar poderia ser aplicada aos produtos enganosamente chamados de “verdes” ou “ecológicos”.

Nenhum produto proveniente da moderna Sociedade Tecno-industrial é vegano, e muito menos ecológico.

Os autodenominados “veganos” poderão seguir enganando a outros e enganando a si mesmos, poderão seguir dependendo do sistema de domesticação e exploração sistemática.

Poderão seguir denunciando as condições de escravidão dos animais não-humanos; e tudo isso sem ver nem denunciar sua própria condição de animais humanos domesticados a serviço do Progresso Tecnológico.

Eles conseguem ver as jaulas dos demais animais, mas são cegos demais para ver a moderna jaula civilizada em que vivemos.

Poderão seguir lutando inutilmente pela “Libertação Animal” sem antes lutar primeiro por sua própria Liberdade Individual Selvagem. É muito engraçado como um animal domesticado pretende libertar a outros animais.

Poderão seguir defendendo e promovendo as ideias e valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), buscando apenas melhorá-lo com suas inúteis reformas, e não destruí-lo definitivamente.

Poderão seguir consumindo compulsivamente seus produtos ou alimentos nocivos industriais supostamente veganos.

Tudo isso apenas enganará e tranquilizará de alguma maneira sua consciência, mas na verdade não fará nada para tentar atacar a domesticação e exploração sistemática do reino animal nem muito menos fará algo contra a domesticação, devastação e artificialização sistemática da Natureza Selvagem.

Frente a irracional fraude que resulta a teoria e a prática vegana, decidimos:

Renunciar ao consumo desnecessário, reutilizar os materiais já produzidos e deixar de depender do Sistema Tecnológico, desenvolvendo nossa própria forma de vida autossuficiente, longe dos valores da jaula civilizada e o mais próximo de nossa Liberdade Individual e da Natureza Selvagem.

Pela verdadeira Libertação Animal!

Fogo nas jaulas, fogo na civilização!

Revolución Feral

Primavera de 2013

Notas:

(1) Estas ideias e valores a que nos referimos, são: animalismo, sentimentalismo, anti-especismo, biocentrismo, hedonismo, a religião, o esquerdismo, a suposta naturalidade do vegetarianismo nos animais humanos, ecologia social, misantropia, etc..

(2) Quando falamos do veganismo neste texto estamos nos referindo a todas suas “diferentes” vertentes, desde o “veganismo burguês” até o chamado “anarcoveganismo”. E desde o movimento pela “Libertação Animal” reformista até o movimento pela “Libertação Animal” abolicionista ou radical (ALF, Animal Liberation Front – FLA, Frente de Libertação Animal).

Os ativistas da ALF-FLA poderão argumentar que eles não são reformistas porque são de ação, mas a verdade é que eles são idênticos aos que compõem o movimento pela “Libertação Animal” reformista que tanto criticam. São reformistas por defender e promover os mesmos valores do Sistema Tecnológico (esquerdismo), eles não buscam destruir o Sistema Tecnológico, apenas procuram melhorá-lo, e o pior é que não são conscientes disso.

(3) Por Libertação Animal nós entendemos: animais humanos e não-humanos que desenvolvem sua vida em Liberdade, em seu habitat Natural e Selvagem.


(Brasil) Grupo salvaje asume la responsabilidad del envio de balas 9mm y AK47 al juez Jânio Roberto dos Santos

Estamos em guerra e nos toca decidir de que lado da trincheira vamos pelear. Do lado do Estado, da civilização ocidental, dos colonizadores, dos dominadores e exploradores ou do lado da resistência, do lado dos rios, das montanhas, das pedras, das onças, das florestas e dos pássaros. Do lado de todos nós que somos terra… Com cada pisada… escolhemos nossa história.

A terra está com febre… está sendo devorada, engolida e estuprada pelos que acham que são donos de tudo. Os rios estão violentamente presos nas barragens, escorregando sangue e cheirando a morte. Os povos estão sendo exterminados…

Nas cidades as pessoas tem medo. Pedem proteção a quem os governam: que os protejam dos roubos. Preocupam-se por suas coisas… Será que não sabem que coisas que se possuem acabam possuindo-os?

Choram por ver vidraças quebradas, bancos expropriados, celulares e carros. Não há choro pelas aguas se secando, pelo mato sendo assassinado, nem pelos outros povos sendo massacrados…

A guerra colonial e civilizatória nunca acabou.

Faz mais de 5 séculos que o povo branco tenta monopolizar as decisões e disposições sobre estas e outras terras, sobre todas as terras, sobre todos os seres… Desde então se vive uma guerra, uma guerra entre os que assassinam a terra e os que a defendem.

Uma guerra que é desigual e escondida, mas que jamais foi abandonada. Os Munduruku sabem disso: “Nossos troféus eram as cabeças de nossos inimigos. Dificilmente perdíamos um guerreiro na batalha. Atacávamos de surpresa e em grande quantidade, assim vencíamos os nossos rivais. Hoje os dias são outros, há muito tempo que não precisamos fazer uma expedição de guerra, mas, se for necessário, o rastro do tempo aponta o caminho do futuro: somos a nação Munduruku, os cortadores de cabeça.”

Hoje o tempo aponta à necessidade de atacar e cortar cabeças novamente.

Roubaram-nos a terra, mas além disso, nos roubaram também a guerra, tentando nos pacificar em reservas indígenas, com direitos que não são mais que instruções para virar, como eles, civilizados. A guerra tem sido roubada de todos nós, de todos os povos, usurpada só pra os brancos, ladrões sábios em artimanhas legais e burocráticas, que continuam roubando legalmente o pouco que queda do território livre da civilização exterminadora.

A civilização é legitimada e perpetuada graças ao sistema jurídico do “estado de direito”. Os juízes tem poder para oferecer nossas vidas nas mãos dos nossos inimigos, entregando territórios ancestrais à fazendeiros destruidores da terra.

O juiz Jânio Roberto dos Santos mandou a despejar os Kaiowá de Caarapó com uma ordem judicial em junho deste ano. Uma assinatura carimba o destino de estes povos. Ele, como os outros juízes é responsável pelos massacres. Os juízes, procuradores e advogados assassinam os indígenas com papéis e caneta, assinando ordens judiciais, processos de reintegração de posse, e mandados de prisão. Ainda quando ninguém se importa, sentimos a dor dos Kaiowá que estão nas prisões de Dourados, sabemos que somos livres com os pés na terra e não dentro de uma gaiola.

Fica claro que a lei não está dando, nem dará nenhuma resposta. Para os Guarani Kaiowa faz tempo que isso estava claro também: “fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas.”

As leis dos brancos só servem para os brancos, para a sua civilização, e para sua fome de tudo.

Vendo o genocídio acontecer debaixo dos nossos narizes, estamos os que não podemos ficar sem fazer nada. Não acreditamos que seja possível reformar ou melhorar um mundo divido entre quem domina e quem é dominado.

Acreditamos que a única saída para acabar com a dominação é recuperar nossas práticas guerreiras e retaliar aos assassinos dos povos da terra.

Por isso, decidimos mandar uma mensagem ao legitimador, legislador, dominador, explorador e destruidor da terra, “Doutor” juiz Jânio Roberto dos Santos, enviando-lhe ao seu lugar de trabalho e à sua casa, duas balas de calibre 9mm e duas balas de AK 47, para lembrar-lhe que cada ação tem suas repercussões.

Nossa não indiferença frente ao genocídio dos kaiowá se manifesta através desta ação…

Para que a violência possa ser expropriada das mãos dos eternos dominadores….

Alguns amaldiçoados pela civilização


(Brasil) Décimo Primeiro Comunicado de Individualistas Tendendo ao Selvagem (Sociedade Secreta Silvestre/ITS-Brasil)

“Sólo quiero ver las ciudades arrazadas, la selva creciendo mientras gozamos con las fabricas quemadas, salvajes somos y salvajes seremos, entre la vida y la muerte danzaremos […] si la muerte llega seguiremos destruyendo el infierno, asqueroso mundo te veré caer riendo, en este enfrentamiento eterno […]” – N.D, El Acecho de La Muerte

Pindorama – Os seres silvestres e indômitos desde o fundo das florestas cantam e nos convidam a travar uma amoral guerra selvagem lado à lado. Dos mais escuros becos da podre urbe escutamos o incivilizado eco daqueles que não falam humano e não tardamos a aceitar o chamado reforçado pelas vozes de nossos antepassados que lá no fundo amaldiçoam e clamam pela destruição total do mundo civilizado. Em bando e como bárbaros nos ajuntamos e afiamos nossos punhais, trocamos os pentes de nossas pistolas e preparamos a nossa gama de explosivos para defender com garras e presas a conspiração eco-extremista contra a civilização e o progresso humano que se estende a estas terras e que por aqui ferozmente começa.

Sociedade Secreta Silvestre é uma das materializações ocultas do eco-extremismo aderente ao Individualistas Tendendo ao Selvagem nestas terras amazônicas.

As autoridades brasileiras se prepararam o quanto puderam contra os extremistas do ISIS e até mesmo prenderam uma de suas células aqui no Brasil, mas não esperavam por nós eco-extremistas. Estrategicamente esperamos as vésperas dos Jogos Olímpicos Rio 2016 para atacar e declarar GUERRA aos hiper-civilizados e a seu mundo morto de concreto e aço bem como a todos os seus pilares e aparatos tecnológicos.

Nós não somos apenas lobos solidários como berrará as autoridades e a mídia brasileira, somos uma matilha que rosna contra tudo o que é civilizado!

Orgulhosamente atendemos ao chamado dos furacões, dos terremotos, das tempestades de raios, das erupções vulcânicas, dos maremotos, avalanches, ondas de calor, inundações e de todas as outras catástrofes naturais PELA DEFESA EXTREMISTA DA NATUREZA SELVAGEM!

Como uma incurável peste surgimos e como ondas violentas de vento que indiscriminadamente varrem tudo pela frente nos alastraremos causando terror e devastação por onde quer que passemos. Nosso alvo? A civilização em sua totalidade e o progresso humano! E isso SEM GARANTIA ALGUMA de que não caiam “inocentes” civis em meio a nossos atos terroristas.

Somos feras selvagens, delinquentes incivilizados, terroristas amorais e uma máfia de inimigos eternos de tudo o que é civilizado e a partir de agora publicamente DECLARAMOS GUERRA àqueles que sustentam a civilização e à seus cúmplices, e também apontamos as nossas armas contra toda e qualquer estrutura que garanta o sustento e a expansão do mundo cívico.

Jogos Olímpicos em nossa mira

Não por acaso SSS/ITS-Brasil deu as caras nesta data. É época de véspera dos Jogos Olímpicos Rio 2016, evento de grande movimentação cidadã nacional e internacional, um show com muito glamour em medida apropriada para manter repletas de lixo as mentes dos civis desta sociedade morta. Dia 5 o mundo se voltará mais uma vez a uma celebração à nível mundial que tem como falido slogan a frase “Um novo mundo”.

Caros cidadãos, temos o imenso prazer de dizer-lhes que se existe algum inferno ele se assemelha à atual realidade mundana e dizemos também que dias melhores não virão, não importa quantas doses de esperança tomem. É momento para a desgraça!

O lema dos jogos olímpicos menciona uma “busca” por algo diferente do inferno que as próprias mãos humanas forjaram. De modo hilário movimentos “revolucionários” também buscam “um novo mundo”. Esta frase é até mesmo o slogan da absurda alterglobalização que pregam diversos movimentos esquerdistas. Todos estão à procura do “mundo novo”, da “terra prometida”, da “Nova Canaã”, e isso até mesmo grande parte dos anarquistas. Seguem distintos caminhos, mas em rumo semelhante em busca de alguma “solução” ou “melhora”, entretanto todas as rotas levam ao mesmo precipício.

Afirmamos que NÃO há mudança possível que supere o abismo cívico que cheira à morte e nós eco-extremistas sabemos muito bem disso. Não há caminhos a se avançar, há passos a regressar. Não há nada que mudar neste mundo, há TUDO a se destruir. SSS/ITS-Brasil junto a ITS-México, Chile e Argentina também se coloca à cargo disso e implacavelmente põem em sua amoral e indiscriminada mira os Jogos Olímpicos Rio 2016. Somos e seremos inimigos eternos de toda a cidadania e de todo o civismo e este evento não passará despercebido por nossa frente. O espírito selvagem do Jaguar morto após ser USADO e DESCARTADO no evento de passagem da tocha olímpica no estado do Amazonas encarna em nós e clama por violentos ataques. Propagaremos o máximo terror sobre este evento cidadão hipócrita que simula uma ridícula paz e união no mundo como se tudo ao redor estivesse bem. Enquanto a Natureza Selvagem morre a civilização segue mais uma vez festejando dentro do mundo artificial que consome tudo o que é natural, e por isso para este festejo mundial deixaremos as nossas bombas!

Nossos bandos afins no Rio de Janeiro e São Paulo estão tão bem preparados quanto as dezenas de milhares de covardes mobilizados para fazerem a segurança pública dos Jogos e garantimos que nos estados na qual temos presença o evento não passará ileso sem que seja severamente atentado. Nós sabemos que brechas existem e elas serão devidamente utilizadas. Não somente as imperiais instalações olímpicas poderão ser alvos, mas objetivos imóveis/móveis aos arredores também poderão ser atacados. Não nos importamos com possíveis civis “inocentes” sendo mutilados ou mortos, afinal os cúmplices da civilização devem tombar junto a ela. Portanto, civis, se não quiserem ser alcançados por nossas explosões, permaneçam trancafiados à sete chaves no porão de suas casas. Turistas, se não quiserem ter o mesmo fim retornem às suas pútridas cidades. Vocês não são nem nunca serão bem recebidos, a não ser por nossos explosivos…

Vemos as estruturas olímpicas como uma profunda manifestação do urbanismo e da modernidade bem como da própria expansão da civilização. A Natureza Selvagem novamente foi apunhalada e desta vez para dar lugar às instalações dos jogos. A exemplo disso vemos o golpe civilizado ao pouco que resta de Mata Atlântica para a construção de um campo de golfe na Barra da Tijuca que servirá às Olimpíadas Rio 2016. Sem piedade alguma o fizeram e sem piedade alguma atacaremos os jogos. Este evento não é neutro e será multiplamente golpeado de modo selvagem. Aqueles que colaboraram/colaboram com ele, incluindo até mesmo civis, cairão! A enojada tocha olímpica carrega um simbolismo cínico que nos faz cuspir em sua representação. Ela traz a simbolização do Céu, das Montanhas e do Mar, aqueles mesmos que ironicamente o próprio avanço da civilização indiscriminadamente empurra ao abismo e a sociedade respalda! Os/as hipócritas envolvidos neste evento fazem jorrar cinismo perante ao mundo ao dizerem “defender” algo da Natureza com essa ridícula menção. A partir de agora mostraremos a eles o que é uma verdadeira defesa da Natureza Selvagem!

Com isso declaramos guerra a este destrutivo evento mundial desta sociedade morta que consome a Natureza Selvagem. A paz social será orgulhosamente rompida e mutilada.

E para dar início ao ataque selvagem, SSS/ITS-Brasil assume a responsabilidade pelo atentado em frente ao shopping Conjunto Nacional, realizado no centro da capital do Brasil, num movimentado setor e há poucos metros de uma das instalações que serão utilizadas nos Jogos Olímpicos Rio 2016. Ontem pela noite plantamos no local um explosivo de fragmentos com 3 quilos de pólvora negra num recipiente de panela de pressão e desaparecemos nas sombras. O artefato provocou uma forte explosão que logo espalhou terror entre os civis, seguranças e funcionários que ali se acercavam. De longe sob a escuridão tranquilamente observávamos enquanto o vento soprava levemente confrontando a cacofonia urbana… as luzes da cidade não conseguiam vencer o céu estrelado preenchido por um expressivo luar… e foi em meio a isso que um forte estrondo e uma bola de fogo nos fez sorrir. Atentamos numa zona militarizada e embaixo do nariz das “forças de segurança”. Embora a explosão não tenha ocorrido como esperávamos seguiremos aperfeiçoando nossas técnicas para causar a máxima destruição possível a cada nova ação.

Ah, Conjunto Nacional, edifício emblemático do setor comercial e um dos símbolos da destruição da Natureza Selvagem… Os shoppings são os estandes da civilização que vendem artificialidades para essa hipócrita sociedade morta, são um um aglomerado de distribuidores que oferecem lixos a essa apodrecida sociedade civilizada e a seus civis e tudo isso ao custo da destruição frenética da Natureza Selvagem. Ontem o CN seguia firme em seus assassinos negócios e hoje se vê abalado como a estrutura de um prédio atingida por um sismo de magnitude máxima. Desta vez o ataque ocorreu fora do prédio, amanhã poderá ser em seu interior…

Declaramos que é apenas o começo da guerra eco-extremista contra a civilização e o progresso humano no “Brasil”. Todas as estruturas e indivíduos que garantem o sustento e a expansão da sociedade tecno-industrial e consequentemente a destruição da Natureza Selvagem agora convertem-se em alvos nossos.

As estruturas civilizadas voarão pelos ares como pássaros selvagens e arderão em chamas até alcançarem as cinzas e aqueles que promovem a destruição do Natural pagarão com sangue por suas ações, sangue este oferecido ritualisticamente à própria indômita Natureza assim como de forma grandiosa fez ITS-México ao assassinar a um trabalhador da UNAM, instituição incubadora de progressistas.

As únicas leis que reconhecemos são as leis da Natureza Selvagem. Esta é uma guerra de vida ou morte e a travaremos até as mais extremas consequências. Causaremos atos de terror e destruição enquanto estivermos de pé e isso será até a nossa morte ou a de todos os nossos inimigos.

Nós somos os produtos mais repugnantes que esta civilização podre já há criado. Habitamos as sombras, enojamos a cidadania, cuspimos no civismo e vandalizamos a onde quer que passemos. Desprezamos o trabalho, odiamos as escolas e incendiamos as universidades. Somos iconoclastas hereges inimigos supremos de Cristo e adoradores do paganismo, os que incendeiam igrejas com padres, pastores e até mesmo fiéis dentro, niilistas amorais apologistas da violência e do crime, os que escolheram a química ao invés das leis para dar seguimento à confecção de explosivos que dilaceram corpos e destroem estruturas, asquerosos delinquentes sem compromissos com a vida civilizada e que estão contra o futuro e contra tudo o que é o progresso humano, nós somos aqueles que não temem pelo amanhã e que escolheram o hoje e o agora para desferir os seus golpes… assim elegemos e sem nenhum passo atrás assim será…

Finalizamos o primeiro comunicado da Sociedade Secreta Silvestre (décimo primeiro de Individualistas Tendendo ao Selvagem) com o seguinte recorte que faz parte da publicação eco-extremista “Ishi e a Guerra Contra a Civilização“, e que possui sua versão em português:

“O eco-extremismo não terá fim, porque é o ataque selvagem, o “desastre natural”, o desejo de deixar que o incêndio arda, dançando em torno dele. O anarquista recua e o esquerdista se espanta, porque sabem que não podem derrotá-lo. Continuará, e consumirá tudo. Serão queimadas as utopias e os sonhos do futuro civilizado, restando apenas a Natureza em seu lugar.”

Sejamos perigosos…

Com ITS-México, Chile, Argentina e outros cantos do mundo, adiante máfia de eco-extremistas!

Cumplicidade com grupos Terroristas Niilistas na Itália que esfacelam a paz social! Adiante Clã Terrorista Niilista Cenaze, Seita Niilista Momento Mori e afins!

Saudações à convicta CCF que incendiou a Grécia!

Avante grupos eco-anarquistas e niilistas que espalham o terror pelo Chile!

Saudações ao Grupo de Hostilidades Contra a Dominação que também está em guerra nestas terras!

ADIANTE COM FOGO, BALAS E BOMBAS PELO SELVAGEM E CONTRA A CIVILIZAÇÃO E CONTRA TUDO O QUE É CIVILIZADO!

PELA DEFESA EXTREMISTA DA NATUREZA SELVAGEM!

ATÉ A TUA MORTE OU A MINHA!


Uma guerra sem baixas civis: uma defesa eco-extremista da violência indiscriminada

Sendo um propagandista eco-extremista, percebo as reações dos leitores anarquistas e esquerdistas ao ler sobre as ações de ITS e outros grupos eco-extremistas. A primeira reação geralmente é de repulsão. Como pode ser que os eco-extremistas executem atentados contra as pessoas e a propriedade, como incendiar ônibus ou enviar pacotes-bombas que podem causar danos a “civis inocentes”? E se uma criança estiver perto do explosivo? Ou se a secretária do cientista, também uma mãe e uma esposa, abre o pacote e morre ao invés do cientista? De onde vem esta obsessão com a violência niilista onde inocentes são mortos? Isso não ajuda a “causa” pela destruição da civilização? Não é um sinal de que os eco-extremistas estão mentalmente perturbados, talvez irritados com seus pais, precisam tomar seus medicamentos, são uns excluídos, etc.?

Em realidade, a oposição dos esquerdistas, anarquistas, anarco-primitivistas, e vários outros tipos de pessoas que se opõem à violência eco-extremista, é hipócrita, é hipocrisia à nível de que Nietzsche e qualquer outro pensador adepto poderia refutar. Posto que a civilização, assim como qualquer ideologia, se baseia na violência indiscriminada, e no esforço de esconder esta violência à luz do dia.

Vamos fazer os cálculos: a oposição à violência eco-extremista pode ser considerada desde o ponto de vista da regra de ouro cristã: “trate os demais como você gostaria que fosse tratado”, “você não iria gostar que alguém explodisse uma bomba no ônibus em que estivesse viajando”, “você não quer perder os dedos em uma explosão, ou que alguém dê tiros em sua cabeça quando você apenas está trabalhando para triunfar”, “todos temos o direito de trabalharmos e ganhar a vida honestamente”, certo? Mas a probabilidade de estar próximo a uma explosão eco-extremista é mínima, você tem mais probabilidade de ganhar na loteria. Em comparação, a probabilidade de morrer em um acidente de carro é muito mais alta, e a probabilidade de morrer por uma doença causada por comer comida processada, como câncer ou cardiopatia, é ainda mais alta. Costumam dizer, em último caso, alguém morreu de “causas naturais”, mas, por outro lado, se alguém morre em um ataque — “baixa civil” — na guerra eco-extremista é uma tragédia. Isso é um absurdo.

Claro, uma condenação da violência eco-extremista neste caso, é uma aprovação tácita da violência do Estado ou da civilização. Para o liberal burguês, “a violência terrorista” é horrível, uma vez que somente o Estado pode determinar quem deve perder a vida (por exemplo: se alguém vive no Iêmen ou Afeganistão teria mais a temer do que apenas acidentes de carros, pois há “drones” que lançam morte diariamente, porém não há nenhum inconveniente porque tudo foi aprovado pela democracia yanqui). Por outro lado, parece que a esquerda e os anarquistas tem mais direto a criticar a violência, posto que se opõem ao Estado e ao capitalismo. De qualquer forma ainda inventam fantasias onde tomam o poder e executam aos parasitas ricos que foram julgados e sentenciados à morte em suas reuniões, e os matam de maneira cruel e sem piedade, não considerando que os burgueses também são pais, filhos, cônjuges, etc. E obviamente, a violência na dita Revolução será a menor possível, uma vez que, poucos inocentes morreram desnecessariamente em uma revolta popular.

Colidimos com a Grande Ilusão da Civilização, que nos obriga a nos preocupar com pessoas que nunca vamos conhecer, a ter empatia com o cidadão abstrato, o companheiro, e um filho de Deus. Devemos nos preocupar vendo um ônibus queimado, ou um escritório destruído, ou os vestígios de um artefato explosivo deixado do lado de fora de um ministério do governo. Nós somos obrigados a nos perguntar coisas como: o que aconteceria se minha filha estivesse em frente a este edifício? E se minha mulher estivesse neste escritório? Se eu fosse este cientista morto e coberto de sangue no estacionamento? Bom, se assim fosse, o que mudaria? Mas, na realidade, você não estava ali, então, porque está fazendo este filme?

Não é esta a grande narrativa da civilização, que todos nós estamos envolvidos nesta questão? É mentira, porque não estamos. Você é um elo a mais na cadeia, e se a Grande Máquina da civilização escolhe te rejeitar, você será jogado ao lixo. Você não tem nenhuma agenda pessoal, a moralidade é uma ilusão. Somente cobre a violência e morte necessária para produzir a comida que você come e a roupa que veste. É perfeitamente aceitável que numerosos animais morram, que queimem os bosques, que pavimentem os campos, que milhões sejam feitos escravos em fábricas, que sejam erguidos monumentos para as pessoas que destruíram o mundo dos selvagens, que sacrifiquem os sonhos e a sanidade mental dos que vivem hoje para obter um “amanhã melhor”, mas pela amor de Deus, não deixem uma bomba em frente a um ministério do governo, isso não aguentamos!

Aqui te apresento a chave para tua libertação: você não deve nada à sociedade, e não tem que fazer o que te pedem. Essas pessoas que são assassinadas no outro lado do mundo não se preocupam com você, e nunca se preocuparão. Você é uma pessoa a mais nos números de Dunbar: será uma notícia no jornal e será esquecido. Se identificar com a morte de um cidadão ou um “filho de Deus” a milhares de quilômetros de você, é a maneira em que a sociedade te manipula para que faça o que te é ordenado: é uma ferramenta para tua domesticação e nada mais.

O poeta estadunidense Robinson Jeffers escreveu que, a crueldade é algo muito natural, mas o homem civilizado acredita que é contrária à natureza. Os europeus observaram que alguns grupos indígenas do norte da Alta Califórnia, eram os mais pacíficos e ao mesmo tempo os mais violentos: pacíficos porque não tiveram guerras organizadas, violentos porque usaram a violência para solucionar problemas interpessoais. Os que se opõem com mais fervor à violência eco-extremista, estão defendendo o direito exclusivo do Estado e a civilização de determinar quais, entre os seres humanos, devem viver ou morrer. As pessoas com esta atitude são propriedade exclusiva do Estado, então como se atrevem os eco-extremistas, a desafiar este direito absoluto que existe há mais de dez mil anos, as leis que determinam a vida e a morte?

Termino este discurso com duas citações (apócrifos?) de Joseph Stalin, a primeira é: ” não se pode fazer omelete sem quebrar alguns ovos”. Os que se opõem ao eco-extremismo dirão que estamos sacrificando a vida de inocentes para estabelecer nosso Paraíso na terra. Qualquer pessoa com a mínima inteligência para ler um pouco, perceberá que isso é uma mentira. O eco-extremismo não busca quebrar alguns ovos para fazer um omelete, pelo contrário, ele quer destruir a caixa inteira, e se alguns ovos se quebrem neste acontecimento, de qualquer forma, quantos ovos são quebrados em uma propriedade industrial a cada dia?

A segunda citação é: “uma única morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística”. Não é esta a lógica da civilização, do esquerdista e do anarquista? Pretendem ignorar que o mundo está sendo destruído pela civilização, se perturbam um pouco pelos selvagens que morreram defendendo a terra de seus ancestrais, fazem um videogame em sua imaginação onde estrangulam os capitalistas dormindo em suas camas, mas se veem um ônibus queimado ou um laboratório destruído, gritam, “Meu Deus, que barbaridade!”.

Talvez você acredite que estes atos são poucos efetivos, talvez acredite que são atos de sociopatas, ou o que quer que seja. Não queremos mudar o mundo, preferimos vê-lo consumido em chamas. E se você não vê a destruição da Terra, dos rios, montanhas, florestas e oceanos, esta é a verdadeira loucura, não podemos te ajudar, e não queremos te ajudar. Apenas se agache quando ver-nos chegar.


CLÃ TERRORISTA NIILISTA “CENAZE”

Em 19 de julho passado “abandonamos” na via Nato Torriani (centro de Milão) ao lado de um canteiro de cimento onde há flores, um pequeno artefato explosivo dentro de um envelope e uma folha com nossas intenções e nosso nome, escrito com um normógrafo.

O ataque que foi completamente censurado pelas autoridades e pela imprensa, talvez para não alarmar aos muitos “bem pensantes” que vivem e prosperam nesta área “burguesa” da metrópole de Milão.

Especificamos que a partir de agora somos afins à Seita Niilista Momento Mori, e seu propósito, e esclarecemos que não somos um grupo “político”.

Perseguimos e golpeamos por nossos impulsos niilistas, animais e amorais!
Estamos avançado, aprofundando e estudando técnicas para afetar de uma forma mais destrutiva!

Adiante pelo terror indiscriminado e o alvo seletivo!

Afinidade com a Seita Niilista Momento Mori!

Saudações cúmplices aos grupos ferais e extremistas contra a sociedade
tecno-industrial!

Clã Terrorista Niilista “Cenaze”


Entrevista a Individualistas Tendendo ao Selvagem

O que vocês querem dizer com os ataques de 25 e de 8 de abril?

É preciso esclarecer uma coisa aqui, ITS NÃO foi responsável pelo ataque em 8 de abril na C.U., foi outro grupo que compartilha a mesma tendência do eco-extremismo, mencionamos ele em nosso último comunicado para evidenciar que as autoridades universitárias acalmaram ditos ataques.

Por outro lado, o ataque de 25 de abril na C.U., foi parte de uma coordenação entre grupos de ITS no México, Chile e Argentina.

Dedicamos todo o mês de abril a essa coordenação de ataques, os quais foram:

– Em 6 de abril a “Horda Mística do Bosque”, abandonou um artefato incendiário dentro da Faculdade de Ciências Físicas e Matemáticas da Universidade do Chile, em Santiago. Embora o artefato tenha sido encontrado antes de ser ativado, uma grande comoção foi gerada na comunidade universitária do país dos terremotos.

– Em 12 de abril o grupo “Ouroboros Silvestre”, detonou um explosivo em frente a Universidade de Ecatepec, no Estado do México, esta a poucos metros da Câmara Municipal localizada em pleno centro de San Cristóbal. Neste caso o artefato explodiu com sucesso sem que se soubessem mais detalhes.

– No mesmo dia o mesmo grupo abandonou um artefato explosivo de ativação eletromecânica na Comunidade Educativa Hispano-americana no mesmo município. O artefato detonou em um dos guardas da instituição no momento em que ele o ergueu e provocou-lhe ferimentos, acontecimento que as autoridades educativas e os meios de comunicação local acobertaram, os quais disseram que o artefato havia detonado sem deixar feridos e apenas danos materiais.

– Em 19 de abril o “Grupo Oculto Fúria de Lince” detonou um artefato explosivo caseiro em uma das entradas da Tec de Monterrey – Campus Cidade do México, em Tlalpan, sem que mais detalhes fossem conhecidos.

– Em 21 de abril o grupo “Constelações Selvagens” abandonou um pacote-bomba dentro da Universidade Tecnológica Nacional em Buenos Aireis, Argentina, sem que se soubessem maiores detalhes, pois as autoridades silenciaram o atentado.

– Em 25 de abril o “Grupo Oculto Fúria de Lince”, abandonou um artefato explosivo de ativação eletromecânica similar ao que detonou na Comunidade Educativa Hispano-americana em Ecatepec, mas dessa vez na Faculdade de Arquitetura na C.U., sem maiores detalhes.

– No mesmo dia, o mesmo grupo abandonou outro artefato explosivo com um mecanismo similar ao outro, mas, na faculdade de Engenharia, especificamente no edifício A, sem que mais detalhes fossem conhecidos.

Todos estes atos foram realizados pelos grupos mencionados e que estão associados a ITS, e que foram reivindicados em nosso Sétimo Comunicado em 9 de maio passado.

Contra quem atentaram?

Os ataques de 25 de abril na C.U., em particular, foram simbólicos e materiais contra a UNAM e contra qualquer universitário que cruzasse com os explosivos abandonados. É falsa a informação que propagaram alguns meios de comunicação onde dizem que os ataques de 25 foram especificamente contra o chefe de serviços químicos, é mentira.

Quantos mais objetivos vocês tem?

Nosso objetivo em específico é a civilização como um todo, as universidades e empresas que geram escravos para que este sistema continue a crescer, os shoppings e instituições que enchem de lixo as mentes das ovelhas cegas que rumam direto ao abate (com isso não estamos nos posicionando a favor da sociedade de massas, a qual também contribui com a destruição da Terra com a sua simples existência), atacamos os símbolos da modernidade, da religião, da tecnologia e do progresso, atentamos diretamente contra os responsáveis por esta mancha urbana que segue se expandindo e devorando os entornos silvestres que ainda restam. Em suma, nós, os eco-extremistas, estamos contra o progresso humano, o qual corrompe e destrói toda a beleza que há neste mundo, o progresso converte tudo em artificial, mecânico, cinzento, triste. Nós não suportamos isso e esse é o motivo pela qual declaramos guerra a esta civilização e seu asqueroso progresso já há alguns anos.

Nunca prenderam um companheiro de vocês?

Em 2011 depois de “mandar pelos ares” a dois professores da Tec de Monterrey – Campus Atizapán, dissemos que a PGR e demais instituições de segurança eram uma PIADA e ainda seguimos dizendo. Nenhum dos nossos foi detido até agora…

Por que matar?

E por que não? É pecado? É um crime? É errado? Com certeza mais de uma pessoa disse “sim” em alguma destas perguntas. Respondemos. Para ser claros, nós matamos porque isso é uma GUERRA, pelo motivo de não reconhecermos mais autoridade que a autoridade de nossas deidades pagãs relacionadas à natureza e contrárias ao catolicismo e ao deus judaico, deidades pessoais que nos empurram para o confronto. Matamos porque não reconhecemos outra lei a não ser as leis naturais que regem TUDO neste mundo morto. Matamos porque rechaçamos qualquer moral que nos queiram impor, porque não consideramos nem “mal” nem “bom”, mas sim uma resposta de nossa individualidade a toda a destruição que gera o progresso humano.

Dentro do espectro do terrorismo, matar pode ser uma estratégia, um chamado, uma advertência para o que talvez possa ocorrer…

Voltando ao tema central, assassinamos o chefe de serviços químicos da UNAM para lembrá-los que podemos atacar a qualquer momento a quem quer seja dentro da universidade, para mostrar que nossos objetivos foram ampliados. Em 2011 nos dedicamos a atacar os cientistas e investigadores, agora todos os que integram a comunidade universitária podem e são um objetivo potencial. Por quê? Pelo simples fato de serem parte da comunidade estudantil e progressista do mais alto local de estudos.

Advertimos meses atrás às autoridades da UNAM, advertimos que se nossos ataques permanecessem sendo silenciados teriam de enfrentar as consequências. O resultado foi a escandalosa morte dentro da Cidade Universitária como um aviso. Tanto faz para nós que tenha sido um trabalhador, o mesmo escândalo houvesse ocorrido se o morto fosse um estudante ou um professor, ou na melhor das hipóteses, um investigador renomado. O objetivo, a UNAM, foi atingido mais uma vez. As autoridades desmoralizadas e nós com mais uma morte em nossa história.

Como podem provar que foram vocês?

As provas estão nos fatos, o corpo tinha seus pertences, não foi um roubo. O corpo foi localizado em um lugar onde não há câmeras, isso indica um ataque direto e não outra coisa. Já sabemos que as autoridades da cidade estão preparando suas “investigações” torpes e com faltas de argumentação (como sempre) para indicar que não foi nós para não assustar ainda mais a comunidade universitária. Havíamos pensado em arrancar o couro cabeludo dele como prova, mas não foi possível. Como escrevemos no comunicado, fica para a próxima. Você e todos podem pensar o que quiserem, que foi um roubo, uma vingança pessoal por pessoas de seu bairro, que foi acidental, etc., mas a nossa história não mente, não somos um grupo novo que vem do nada, e já foi evidenciado com esse e com outros atos que não estamos de brincadeira.

Se não acreditam em um amanhã melhor nem são revolucionários, o que pedem? Qual é a finalidade de sua luta?

Nós não pedimos nada, não temos exigências ou “folhas de petição”. Se pode negociar a perda de nossas raízes como seres humanos naturais que estão resistindo à artificialidade da civilização? Claro que não, não há negociação nem mesas de diálogo ou qualquer outra coisa.

Nós não acreditamos nas revoluções, afinal sempre visam a “solução de problemas”, a construir algo novo e “melhor”. Deixe-nos dizer, a era das “revoluções” e dos “revolucionários” acabou, não existe “revolução” alguma que possa mudar uma coisa negativa por uma positiva porque hoje tudo está corrompido, porque tudo está à venda, porque o que rege o mundo na atualidade não é o poder político, mas o econômico. As revoluções são coisas do passado e nós entendemos isso muito bem.

Nós não queremos resolver nada, nem propomos nada a ninguém, não queremos mudar o mundo, nem queremos nos unir à massa. Chega das utopias secundárias, chega de ter em mente que possa haver um mundo novo. Olha ao seu redor, o presente está repleto de horrores causados pela mesma civilização, pela alienante realidade tecnológica (redes sociais, celulares, etc.), respira o espesso ar desta suja cidade, olha as pistas repletas de carros, observa a massa se espremendo nos ônibus, nos metrôs, veja suas caras cansadas da mesmice. O poder econômico poucos o tem, vivem no luxo, se afundam em notas e comodidades, os meios de comunicação estão vendidos à melhor oferta, e surgem os não-conformistas, e desaparecem com eles e os assassinam, a tensão social se agrava, e quando tudo parece que irá explodir, a normalidade retorna, ou tudo se vai a uma normalidade alternativa. Por isso nós deixamos de acreditar em um “amanhã melhor”, porque este presente decadente é o único que temos, e neste presente apenas vemos o progresso que avança sem freio em direção ao abismo civilizado.

A civilização está podre, cada vez mais se corrói, porém segue avançando. O que mais iríamos querer senão fazê-la colapsar com nossas próprias mãos? Mas isso seria outro propósito infantil.

Nós não apostamos na queda da civilização, nem temos como finalidade a destruição desta, que fique claro.

No aspecto filosófico somos pessimistas, porque vimos que todo o belo para nós, que é a natureza, se perdeu, a destruíram e seguem empurrando-a à extinção. Não nos resta nada pelo que lutar, exceto por nossas próprias individualidades. Nós seguimos sendo humanos ao invés de robôs, somos a Natureza Selvagem que resta, o último dos últimos, nós continuamos nos considerando parte da natureza e não os donos. Os eco-extremistas resgatamos nossas raízes primitivas, e entre muitas outras coisas está a confrontação, o conflito que nos identificou como pessoas desta terra, filhos da algaroba e do coiote, guerreando contra os que nos queiram domesticar, assim como fizeram nossos antepassados mais selvagens ao não permitir serem subjugados pelos europeus a sua chegada na Grande Chichimeca.

Os eco-extremistas somos animais domésticos com seus instintos ainda vivos. Para muitos é certeza que é uma “incoerência” dizer que estamos contra tudo isso e continuar usando tecnologia. Respondemos que não hesitamos em usá-la para conseguir nossos fins imediatos, isso é um fato, nós nos importamos com um caminho cair em supostas “inconsistências”, assim como não nos importamos com nada que nos considerem o que quer que seja.

Uma das finalidade de ITS e do eco-extremismo em si é o ataque, é devolver os golpes que deram à natureza selvagem sem ser homenageados como “revolucionários”, desinteressadamente guiados por um impulso egoísta.

Os eco-extremistas são como as abelhas, as quais fincam seu ferrão para ferir a seu oponente (a civilização), lutando sabendo que morrerão tentando, já que está claro que nesta guerra não sairemos vitoriosos.

Isso vai parecer que somos doentes mentais ou desequilibrados, mas olha, o eco-extremismo niilista é uma tendência que praticamente “nasceu” no México, e que alguns individualistas tomaram como sua no Chile, Argentina e Europa, está claro que não somos os únicos loucos…

Talvez há mais perguntas que respostas, isso é tudo que diremos por agora. O que está feito está feito.

Pela internalização da máfia eco-extremista!
Pela defesa extrema da natureza selvagem!

Individualistas Tendendo ao Selvagem – México


Ataques Indiscriminados? Mas que diabos passa com eles!!

“Assim, porque és morno, e não frio nem quente, te vomitarei de Minha boca.”

A.

Já faz algum tempo que tenho escrito sobre o posicionamento a respeito dos ataques indiscriminados de parte dos grupos eco-extremistas que já se espalharam do norte da América até o sul, e que tem causado muito incômodo em setores anarquistas radicais e não é preciso nem dizer nos círculos da esquerda moderna…

O discurso de desconforto destes grupos tem sua origem nos comunicados do projeto iniciado por ITS em 2011, onde se mostravam a favor da violência terrorista contra aqueles que tendem ao progresso tecno-industrial, sem se importar em causar danos a terceiros.

Isso ficou claro após o primeiro atentado do grupo, onde um trabalhador da UPVM não entregou ao alvo o pacote-bomba abandonado no campus, e decidiu o abrir. Suas feridas foram o começo de uma história de ataques que até hoje prevalece.

Desde o começo, ITS, sem dúvida alguma, foi um grupo sui generis, que chegou com força derrubando, com suas críticas, posicionamentos vitimistas, civilizados, progressistas, humanistas, etc., e se embrionando em vários círculos (eco) anarquistas daquela época.

Um pouco de história

No México houve incômodos e vários se escandalizaram pelas palavras e atos do grupo em questão, sendo alguns deles; coletivos, organizações e sujeitos que defendem ideologias tradicionais de esquerda (comunistas ou anarquistas), que são antagônicas ao Estado, às instituições, partidos políticos, etc., e que não compreendiam a emergente tendência do eco-extremismo (e, aparentemente, ainda não entendem).

O que foi toda aquela onda de comunicados e atentados contra cientistas em 2011? Alguns eunucos berravam que ITS era obra de um plano macabro para justificar a repressão contra os movimentos sociais e/ou anarquistas daqueles anos.

De onde veio um grupo tão incorreto na hora de atacar? O que significam essas reivindicações a favor da Natureza Selvagem? Mas o México não era “terra” de Zapatistas, vermelhos e anarquistas cagões que enxiam a boca com discursos autonomistas-populistas? Por acaso são uma nova cisão de algum grupo armado comunista? São realmente ecologistas radicais como dizem ser ou são uma estratégia militar para prender os gritalhões de sempre que clamam por justiça? Por acaso eles são punks fazendo uma piada de mal gosto?

NÃO, ITS é um grupo de individualistas provenientes do eco-anarquismo que se distanciaram de tantas ideias utópicas e irreais, que criticaram e se auto-criticaram, que avançaram entre as sombras e que planificaram o ataque aqui e agora.

ITS rosna ferozmente dizendo que: não há NADA a mudar na sociedade, MUITO MENOS há um “paraíso primitivista” pelo qual lutar, a revolução NÃO existe, NÃO somos anarquistas, comunistas, feministas, punks, nem nenhum outro esteriótipo “radical”, estamos em GUERRA contra a civilização, contra o sistema tecnológico, contra a ciência e contra tudo o que queira domesticar a Natureza Selvagem e queira nos artificializar como humanos agarrados à nossas raízes mais profundas. Não negamos NOSSAS contradições e pouco nos importa sermos vistos como “incoerentes” por aqueles que nos criticam estupidamente dizendo: “se se opõem à tecnologia por que usam internet!”. Frente a essas críticas vagas e sem base alguma nosso escarro cuspido em suas patéticas caras.

Após a primeira fase de ITS em 2011; chegou a segunda marcada após publicar o seu sexto comunicado em janeiro de 2012, no qual comentava várias auto-críticas que fizeram com que ITS se desprendesse quase por completo de sua herança anarquista e sua discursiva “kaczynskiana”.

Sua terceira fase em 2014 com “Reacción Salvaje” foi mais que clara em seu discurso, mantendo sua atitude indiscriminada nos ataques que levaram a cabo seus diferentes grupúsculos. Dos 25 comunicados que emitiram em um ano, 15 foram reivindicações.

ITS não mentia quando escrevia tranquilamente em seus comunicados que não lhe interessava os feridos que deixavam em seus ataques, que eram indiscriminados em seu atuar e isso era verdade.

Em abril de 2011, ITS deixou ferido gravemente um trabalhador da UPVM no Estado do México. Em agosto um pacote-bomba deixava feridos a dois importantes professores da Tec de Monterrey no mesmo estado. Em novembro assassinaram com um tiro na cabeça um renomado pesquisador de biotecnologia em Morelos. Em dezembro um envelope-bomba feriu mais um professor da UPP em Hidalgo. Em 2013, um funcionário dos correios resultava ferido após roubar um pacote-bomba de uma caixa de correios da Cidade do México. Ou seja, no período de 2011-2013, ITS deixou 5 feridos e um morto, sendo 4 em gravidade e 2 não tinham haver com as pessoas-alvos.

Os feridos também se repetiram com RS. Em julho de 2015 um funcionário público membro da Comissão de Direitos Humanos teve queimaduras após abrir um pacote encontrado na garagem de seu edifício-sede no Estado do México. Em 14 de agosto uma secretária do Grupo Cuevas (engenheiros ligados a ICA) foi ferida da mesma forma após abrir um pacote abandonado em seus escritórios no mesmo estado.

Após a morte de RS, os grupos eco-extremistas que o presidiram já contam com seu histórico de feridos após seus ataques. Em outubro de 2015 nove bombas-relógio em nove ônibus da Mexibús foram detonadas, e embora o ataque tenha sido contra o transporte público, não houve mais que um ferido apenas. Na ação havia o risco de mais de uma pessoa sair com severos danos físicos, mas para a “Seita Pagã das Montanhas e Grupos Afins” isso pouco importava.

Em novembro daquele mesmo ano um pacote-bomba aberto dentro do Conselho Nacional Agropecuário na Cidade do México feriu o vice-presidente da Aliança Pró-Transgênicos e também sua secretária e dois civis que se encontravam próximos. O “Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem” se responsabilizou pelo atendado.

Mais dois grupos provenientes da morte de RS, o “Grupúsculo Indiscriminado” e “Ouroboros Niilista” (agora Ouroboros Silvestre), tentaram detonar seus explosivos sem se importar com terceiros feridos, e, embora aparentemente seus ataques tenham sido frustrados, a intenção segue.

Em janeiro deste ano (2016) ITS voltou a aparecer publicamente com seu primeiro comunicado, e o que parecia mais uma etapa “das de sempre” dentro desta guerra se converteu em surpresa para muitos. Quinze dias depois da publicação de seu primeiro texto, ITS havia realizado seis ataques com explosivos em três diferentes estados do país. Sua capacidade operacional deu muito o que falar. Uma semana depois de seu segundo comunicado reivindicando esses ataques de janeiro e fevereiro, um ônibus Transantiago era reduzido a sucada queimada na capital chilena em plena luz do dia. O nome assinante que se responsabilizava pelo ataque era: “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Chile”.

Com este terceiro comunicado do grupo a internacionalização do eco-extremismo indiscriminado era evidente. Uma semana após a queima do ônibus era publicado o quarto comunicado assinado por “Individualistas Tendendo ao Selvagem-Argentina”, onde se responsabilizavam por um artefato explosivo na Fundação de Nanotecnologia e também por várias mensagens de ameaças contra cientistas e contra a imprensa. Também haviam deixado um pacote com pólvora negra e uma mensagem em uma estação de ônibus em Buenos Aires.

Embora ITS em fevereiro tenha atuado em três países diferentes sob suas próprias pautas, totalizando 10 diferentes atos e alguns deles sendo em plena luz do dia, a onda de atentados feriu a apenas dois civis.

Em março o quinto comunicado de ITS-América (México, Chile e Argentina), defendeu e sublinhou o posicionamento que teve desde 2011: NÃO importa se civis sejam feridos, isso é uma GUERRA, o ataque é indiscriminado. ITS NÃO reconhece moralismo no ataque.

Após estas incômodas palavras, houve reações…

“Debates”, notas e indiretas

Após a difusão dos ataques de grupos eco-extremistas no México em diferentes blogs de “contrainformação” anarquista, muitos deles expressaram seu desacordo através de notas no rodapé da página ao publicar estes comunicados. Alguns se limitaram a apenas publicá-los sem qualquer aponte ou opinião e já outros simplesmente não publicam nada referente a nossas posturas, e é compreensível, NEM todos os blogs, revistas e demais projetos de tendência anárquica tem a obrigação de publicar o que os grupos eco-extremistas dizem ou fazem, sempre haverá diferenças, algumas positivas e outras mais negativas. O que quer enfatizar o Grupo Editorial da Revista Regresión (que é parte de ITS-México), é o seguinte:

– NÃO queremos que os demais aceitem nossos “términos e condições”, NÃO tentamos ser agradáveis ou amigáveis com estranhos, ou queremos que certos grupos ou indivíduos “tornem-se” como nós. NÃO nos interessa “converter” a ninguém do eco-anarquismo ao eco-extremismo. Os poucos que decidiram adotar esta postura estão convencidos de que um projeto como este deve ser defendido com unhas e dentes, pensado e planificado para dar golpes mais certeiros.

– Alguns anarcos tem dito que somos uma “Máfia”. Para estes criticões e bocas grandes que andam difamando nosso projeto tanto no México como em outros países onde o eco-extremismo já tem presença, nós vamos tomar isso como um elogio.

Nós somos um tipo especial de crime, delinquentes que se aglomeraram em um grupo para atacar em diferentes lugares tanto no México quanto no Chile, Argentina e outros países. Não pensem duas vezes ao tentar “nos insultar” dizendo que somos terroristas ou uma nova classe de máfia, porque isso não nos insulta e porque nós SOMOS!

– Todos podem expressar sua raiva ao ler nossas linhas, muitos gringos “anarco-zerzianos” às escondidas fizeram isso. Para citar um exemplo, no portal “Anarchist News” os comunicado de ITS foram censurados por sermos consideramos “reacionários”, e não dizemos isso com uma atitude vitimista, dizemos para que os blogs que não estejam de acordo com nosso discurso deixem de se comportar de forma tão pluralista e se realmente lhes causam incômodo nossas incorretas, terroristas e mafiosas palavras, deixe-as de publicar, afinal nos fariam um favor.

– Como decidimos, todos podem expressar sua incompatibilidade com o eco-extremismo indiscriminado que defendemos, isso também fizeram os auto-denominados “Célula Revolucionária Paulino Scarfó” (CRPS) em seu comunicado de fevereiro deste ano, no qual fazem alusões indiretas ao atentado de ITS no Chile. Repetimos, é saudável criticar e expressar desacordos, MAS lançar indiretas NÃO filhos da mãe! Melhor se tivessem assinado como “Célula Anarco-cristã León Tolstói”. Parece que estes anarquistas não tem memória histórica ou que sofrem de uma amnésia terrível ao mencionar aquele que foi companheiro do TERRORISTA Severino Di Giovanni, o anarquista que fez voar pelos ares o consulado italiano em Buenos Aires, matando a vários fascistas, mas também ferido a civis, aquele que matou a um anarquista que lhe marcava como “fascista”.

Scarfó acompanhou a Di Giovanni na fase mais violenta de sua Guerra Individualista contra alvos móveis e simbólicos, ele foi um INDISCRIMINADO, de fato foi condenado pelos mesmos anarquistas de sua época, pois seus métodos de luta foram considerados “inapropriados”.

É verdade CRPS, os grupos eco-extremistas, ITS e muito menos nós somos revolucionários, também não compartilhamos seu discurso tão repetitivo e chato, só que nós ao contrário de vocês, somos diretos e não andamos com putas insinuações e rodeios imbecis!

Alguns posicionamentos nossos para “Nigra Truo” (NT)

Há alguns dias um integrante do blog “Por la Anarquía” publicou um texto onde é possível ler a sua posição a favor e contra do eco-extremismo. Até agora é a única crítica mais sincera, pois ele não se concentra APENAS em criticar o que defendemos, mas também faz algumas críticas aos ambientes anarquistas.

Embora isso, NT não se salva de nossa resposta à suas críticas, por isso temos que esclarecer o seguinte:

– Aparentemente, NT confundiu a informação que tem de ITS e escreveu que é uma contradição empurrar o Debate Amoral que propuseram os niilistas da Casa Editorial “Nechayevshchina” (Nechayevshchina Ed.) e ao mesmo tempo ter a regra moral de: “A Natureza é o bem, a Civilização é o mal”. A NT recordamos que ITS tem diferentes fases, e embora o grupo defendesse muito esse lema Naturien desde 2011, os ITS de hoje são diferentes, faz anos que ITS não havia empregado essa frase, por isso, caro NT, lamento sarcasticamente dizer-lhe que, sua crítica referente a este ponto cai por seu próprio peso, posto que, ITS já não defende esse lema, pois a Natureza Selvagem está em um plano “extra-moral”.

Ao ler a crítica de NT parece ser que ele tem se confundido com o que nós, os que defendem a tendência do eco-extremismo, entendemos por Ataques Indiscriminados. Um ataque desses não é colocar uma bomba na casa de papelão de um mendigo, não é incendiar uma barraca de um vendedor ambulante, NÃO, quando nos referimos a Ataques Indiscriminados é que vamos colocar uma bomba em algum lugar específico, empresa, universidade, casa particular, automóvel, instituição, etc., onde esteja nosso alvo-humano a ser atacado, sem se importar que o explosivo alcance a civis. Ataque Indiscriminado é incendiar algum lugar simbólico sem se importar que haja “gente inocente”, sempre acertando o Progresso Humano. Ataque Indiscriminado é o que tem feito ITS desde 2011, e que foi abordado no início deste texto, é enviar pacotes-bombas sem se importar que terceiros sejam afetados, sempre tendo como objetivo desestabilizar, aterrorizar e implantar o caos em uma sociedade carente de pensamentos próprios.

– Seguimos festejando os “desastres naturais”, os quais podem ser vistos como atos de vingança ou como reações violentas da Natureza Selvagem (dependendo da auto-cosmovisão individualista que se distancia daquela que defende a cultura civilizada), derivadas da destruição ambiental que por sua vez é provocada por mãos humanas, tanto de gigantescas multinacionais como por seus peões “proletários”.

Conclusão

Uma maneira de finalizar este texto é somente dizendo que os ataques de grupos eco-extremistas irão continuar assim como seu incômodo discurso. Sempre haverá pontos em acordo-desacordo, convites para debates, indiretas, e merda derramada da boca de alguns, mas que se saiba bem o que haverá enquanto sigamos existindo, é uma resposta de nós, os terroristas, os incorretos, os que não se calam do que pensam ,os que aclaram antes de mais nada, os da Máfia Eco-extremista!!

Com a fúria desconhecida da Natureza Selvagem!

Com Chahta-Ima, Nechayevshchina e Maldición Eco-extremista!

Com ITS-México, Chile e Argentina!

Adiante com a Guerra!

 

Xale: Editor-chefe da Revista Regresión

México, inverno de 2016


Ishi e a Guerra Contra a Civilização

A aparição do eco-extremismo e as táticas que utiliza, tem causado muitas controvérsias nos círculos radicais à nível internacional. As críticas de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS) e outros grupos alinhados, tem recebido uma ampla gama de acusações de loucura ultra-radical. Um aspecto destacado desta polêmica gira em torno da ideia do ataque indiscriminado. A amarga retórica por parte dos eco-extremistas pode exacerbar a hostilidade para com estas táticas entre os incrédulos. Como muitos se referem, no entanto, parecia que ITS e outros grupos eco-extremistas estão envolvidos em detonações de explosivos em centros pré-escolares e lares de idosos, ou seja, objetivos aleatórios ao invés de objetivos de importância específica para o sistema tecno-industrial (laboratórios, ministérios governamentais, etc.). Deve-se admitir que muitos dos envolvidos em polêmicas contra o eco-extremismo tem a priori uma inclinação negativa contra qualquer argumento, não importando o quão bem esteja elaborado, afinal, como eles mesmos admitem, a manutenção da civilização e a domesticação é de seu próprio interesse. Não é o ponto discutir com eles. Por outro lado, o eco-extremismo ainda tem muito o que dizer, então aqueles que tem ouvidos para ouvir, que ouçam.

O mais amistoso seria perguntar por que ITS e seus aliados devem “retirar-se” da ideia do ataque indiscriminado. Por que fazer dano às pessoas que estão tratando de ajudar? Em outras palavras, a civilização e a destruição que se desata sobre o mundo são culpa de um pequeno setor da sociedade moderna, e há que se concentrar em convencer a grande maioria que não tem a culpa, com a finalidade de ter o equilíbrio das forças necessárias para superar os males que atualmente nos afligem. Fora isso, é apenas a má forma. É compreensível que “coisas ruins” ocorram até mesmo em ações bem planificadas. O mínimo que podem fazer aqueles que se submetem a elas é que peçam desculpas. Isso é apenas boas maneiras. Alguns anarquistas chilenos fizeram algo recentemente, explodiram bombas de ruído às quatro da manhã, quando ninguém estava por perto com a intenção e expressar sua “solidariedade” com quem solicitou o anarquismo internacional para orar por… quero dizer, expressar sua solidariedade nesta semana. Mas se você tem que fazer algo, o mínimo que pode fazer é minimizar os danos e expressar seu pesar se algo der errado (mas acima de tudo, então você deve fazer nada…).

Claro, o eco-extremismo rechaça esta objeções infantis e hipócritas. Estas pessoas estão expressando sua superioridade moral enquanto brincavam com fogos de artifício no meio da noite e logo se dedicam a outras coisas pelo mundo, sem nenhuma razão aparente? Querem um biscoito ou uma estrelinha por serem bons meninos? O eco-extremismo admitirá facilmente que esse anarquismo devoto é piedoso e santo. Os eco-extremistas não querem ajuda destes anarquistas piedosos. Se os anarquistas que se inclinam para a esquerda buscam ganhar popularidade no manicômio da civilização, é claro, o eco-extremismo se rende.… Parabéns de antecedência.

Houve críticas contra os eco-extremistas dizendo que não é assim que se trava uma guerra contra a civilização. Ok, vamos em frente e dar uma olhada mais de perto a uma guerra real contra a civilização. Os editores da Revista Regresión já escreveram uma extensa série de artigos sobre a Rebelião do Mixtón e a Guerra Chichimeca, que se estendeu por grande parte do território do México durante o século XVI, aqui recomendamos encarecidamente seu trabalho. Neste ensaio, vamos aumentar seus argumentos recorrendo a um exemplo muito amado de um “tenro” e trágico índio, Ishi, o último da tribo Yahi no estado da Califórnia, nos Estados Unidos. Neste exercício não pretendemos saber de tudo dos membros de uma tribo da Idade da Pedra que foram caçados até sua extinção pelos brancos. Na medida em que qualquer analogia histórica é falha, ipso facto, aqui vamos pelo menos tentar tirar lições de como o Yahi lutou, suas atitudes em relação à civilização sendo o último homem, e como a forma de sua cultura problematiza os valores anarquistas e os de esquerda advindos do iluminismo. Este ensaio pretende mostrar que a guerra do Yahi contra a civilização também foi indiscriminada, carente de valores ocidentais como a solidariedade e o humanismo, e foi um duelo de morte contra a vida europeia domesticada. Em outras palavras, é um modelo de como muitos eco-extremistas veem sua própria guerra travada a partir de sua individualidade. Ishi, longe de ser o modelo do “bom selvagem”, foi o último homem de pé em uma guerra travada contra os brancos, com a maior quantidade de brutalidade e “criminalidade” que o agora extinto Yahi pode suportar.

O Yahi

Em 29 de agosto de 1911, um homem de cor marrom, nu e com fome, com cerca de cinquenta anos de idade foi encontrado do lado de fora de um matadouro perto de Oroville, Califórnia. O homem foi rapidamente detido e encarcerado na prisão da cidade. No início, ninguém podia se comunicar com ele em qualquer idioma conhecido. Logo, os antropólogos chegaram de San Franciso e descobriram que o homem era Yahi, um bando situado mais ao sul da tribo Yana, conhecido localmente como “índios escavadores” ou “índios Mill Creek/Deer Creek”. Durante muito tempo se suspeitava que um pequeno grupo de “índios selvagens” ainda viviam na região montanhosa do norte inóspito da Califórnia. Os antropólogos fizeram os arranjos para que o último “índio selvagem” vivesse com eles em seu museu, e que os ensinasse sobre sua cultura em San Francisco. Depois de haver encontrado um (imperfeito) tradutor Yana, não puderam obter outro nome do índio que não fosse apenas “Ishi”, a palavra Yana para “homem”. Esse é o nome pela qual ficou conhecido no momento de sua captura até sua morte, quatro anos e meio mais tarde.

Os Yahi eram um ramo meridional de uma tribo maior chamada Yana, encontrada no norte da Califórnia, ao norte da cidade de Chico e do rio Sacramento. Antes da chegada dos europeus, havia talvez não mais de 3.000 Yana em suas terras tradicionais fazendo fronteira com os Maidu ao sul, os Wintu ao oeste, e a tribo Shastan ao norte. Falavam a língua Hokan, as raízes das quais compartilharam com tribos em toda a América do Norte. Como tribo, os Yana, em particular, eram muito menores que seus vizinhos, mas ainda sim havia uma reputação de brutalidade contra eles. Também se especula que o Yana pode primeiro ter vivido nas terras baixas mais produtivas antes de ser levado para a região montanhosa menos produtiva por seus vizinhos muito maiores e mais ricos ao sul, particularmente. Como Theodora Kroeber comenta em seu livro, “Ishi in Two Worlds”:

“Os Yana foram menores em número e mais pobres em confortos materiais se comparados aos seus vizinhos do vale, a quem eles consideravam combatentes suaves, relaxados e indiferentes. Assim como as tribos de montanhas em outras partes do mundo, os Yana, também, eram orgulhosos, valentes, engenhosos e rápidos, e foram temidos por povos maidu e wintu que viviam nas terras baixas.” (25)

Steven Shackley, em seu ensaio, “The Stone Tool Technology of Ishi and the Yana”, escreve sobre a relação dos Yahi com seus vizinhos imediatos:

“Pelo motivo de ter de viver em um ambiente tão marginal, os Yahi nunca tiveram boas relações com os grupos dos arredores em qualquer período de tempo. Evidência arqueológica regional sugere que, os falantes de línguas hokanas, provavelmente os que poderiam ser chamados de proto-Yana, viviam em um território muito maior que incluía a parte superior do vale do rio Sacramento, assim como as colinas da Cascata do Sul até a “Intrusão Penutia” em algum momento há mais de 1000 anos. Estes grupos que falavam idiomas Penutian foram os antepassados dos Maidu e Wintu/Nomlaki, que viviam no vale do rio no momento do contato espanhol e Anglo. A violência considerável sugere neste momento, no registro arqueológico e do proto-Yana, evidentemente, que não se moveram a um habitat menor ou mais marginal de bom grado. A violência nas mãos de estrangeiros não era nova, com a chegada dos anglo-saxões a partir de 1850, os Yahi tinham mantido relações de inimizade em um longo período de tempo com grupos que falavam idiomas Penutian, que haviam tomado à força a terra inferior e seus arredores por algum tempo.” (Kroeber y Kroeber, 190)

Em geral, no entanto, os Yana viveram como a maioria das tribos, se agarraram ao ciclo das estações e tinham pouca estratificação social. A única diferença importante entre os Yana é que tinham dualidade sexual na linguagem, ou seja, uma forma diferente na língua Yana era utilizada por cada sexo. Como explica Theodora Kroeber:

“Os bebês de ambos sexos estavam sob cuidado da mãe, com uma irmã mais velha ou a avó ajudando. Sua primeira fala, foi a do dialeto da mulher, sempre se fala das mulheres e dos homens, e os meninos na presença de meninas e mulheres. Quando o menino crescia e era independente da atenção da mãe, era levado por seu pai ou irmão mais velho a onde quer que fossem, durante maiores períodos de tempo a cada dia. Na idade de nove ou dez anos, muito antes da puberdade, passava a maior parte de suas horas na companhia masculina e dormia em vigília na casa dos homens. Portanto, o menino aprendeu seu segundo idioma, o dialeto dos homens.” (29-30)

Kroeber explica que a fala feminina era muitas vezes um discurso “cortado” com as palavras masculinas que tem mais sílabas. Embora as mulheres usassem apenas um dialeto da língua, conheciam a variante masculina também. Theodora Kroeber especula que na língua Yana, longe de ser uma curiosidade linguística, a divisão estrita das palavras pode ter feito dos Yahi mais intransigentes à interferência do mundo exterior. Ela escreve:

“É um aspecto psicológico desta peculiaridade no idioma, que não está sujeito à prova, mas que não deve ser descartado. O Yahi sobrevivente parece que nunca perdeu sua moral em sua longa e desesperada luta pela sobrevivência. Poderia a linguagem haver desempenhado um papel nesta tensão contínua da força moral? Ela havia sido dotada a suas conversações com o hábito da cortesia, formalidade, e o uso carregado de um forte sentido na importância de falar e de se comportar desta ou daquela maneira e não de outra, de modo que não permitia o desleixo seja ele de palavra ou de comportamento.” (Ibid, 31)

Theodora Kroeber examina este aspecto da vida Yana mais tarde em seu livro, quando descreve a relação de Ishi com seu primeiro intérprete mestiço Yana, Sam Batwi:

“Ishi era um conservador cujos antepassados haviam sido homens e mulheres de retidão; cujo pai e avô e tios haviam levado com dignidade a restrição das responsabilidades de serem os principais de seu povo. As maneiras de Ishi eram boas; as de Batwi cheiravam a crueza da cidade fronteiriça, que era o que melhor conhecia e que, por costume da época, sabia de seus cidadãos menos esclarecidos… É muito possível que no primeiro encontro, Ishi e Batwi reconheceram que eram de diferentes estratos da sociedade Yana, Batwi era o menos considerado…” (153)

A maior parte da cultura Yahi era muito similar às culturas indígenas da Califórnia em geral. Os esforços dos homens centravam-se na caça e a pesca nos rios, em especial com o salmão como alimento disponível. Os esforços das mulheres eram centrados na coleta, armazenamento e preparação de bolotas e outras plantas como parte de sua dieta básica. O antropólogo Orin Starn, em seu livro “Ishi’s Brain: In Search of America’s Last “Wild” Indian”, afirma o seguinte em relação ao conservadorismo dos Yahi, em particular, (71):

“No entanto, os Yahi eram também uma comunidade encarnada a seus costumes. É possível que tenham casado com tribos vizinhas (ocasionalmente sequestravam mulheres em meados do século XIX), mas os estrangeiros eram absorvidos pelo caminho Yahi. Em outras partes da América nativa, antes de Colombo, houve instabilidade na mudança – doenças, guerra, migração, invenção cultural, e adaptação. No sudeste, por exemplo, os lendários Anasazi de repente desapareceram no século XII, por razões ainda não discutidas. Ao longo do tempo, no entanto, o Yahi mostrou mais continuidade e instabilidade que outros grupos. Relativamente poucas modificações ocorreram em suas pontas de lança, nos primeiros acampamentos, no fato de amassar bolotas, ou outras rotinas da existência yahi. Ao que parece, os antepassados de Ishi seguiram mais ou menos o mesmo modo de vida durante muitos séculos.”

Como eram muito do norte, a neve e a falta de alimentos foram fatores que surgiam frequentemente nos tempos de escassez no inverno. No entanto, os Yana sabiam como prosperar na terra que lhes foi dada, como Kroeber resume em seu retrato da vida Yana e sua relação com as estações do ano:

“O inverno era também o tempo de voltar a recontar a velha história da criação do mundo e como foram feitos os animais e os homens, o tempo para escutar outra vez as aventuras do Coiote e da Raposa e da Marta do Pinho, e a história do Urso e dos Cervos. Assim, sentado ou deitado perto do fogo na casa coberta de terra, e envolvido em mantos de pele de coelho, com a chuva que cai lá fora ou com o espetáculo da lua brilhante que caía com sua luz para baixo em Waganupa ou distante em Deer Creek, o ciclo Yana das mudanças de estações estava completado ao dar outra volta. A medida que as cestas de alimentos estavam vazias, uma por uma, o jogo se manteve oculto e escasso, os sonhos dos Yana se dirigiram a um tempo, não muito distante, quando a terra foi coberta novamente com o novo trevo. Sentiram o impulso de serem levantados e despertaram em um mundo, às vezes muito distante, em um grande oceano que nunca haviam visto, o salmão brilhante foi nadando em direção à boca do rio Sacramento, seu próprio fluxo de origem dos Yana.” (39)

Starn também cita um canto entonado por Ishi aos antropólogos que resume o fatalismo Yahi (42):

Serpente de chocalho morde.
Urso cinzento morde.
E vão a matar as pessoas.
Deixe que assim seja.
O homem sairá ferido ao cair da rocha.
O homem cairá quando estiver colhendo pinhões.
Ele nadará na água, à deriva, morre.
Eles caem por um penhasco.
Serão atingidos por pontas de flecha.
Eles irão se perder.
Terão que remover as lascas de madeira de seu olho.
Serão envenenados pelos homens maus.
Vão ser cegos.

Os Yahi em Guerra

Como era de se esperar, a invasão dos europeus poderia ter até mudado algumas tribos pacíficas a hostis e selvagens. Como Sherburne F. Cook declarou em seu livro, “The Conflict Between the California Indian and White Civilization”:

“O efeito geral destes eventos provoca uma mudança em todo o horizonte social dos indígenas, particularmente nos Yokuts, Miwok, e Wappo. As forças disruptivas, previamente discutidas com a referência a sua influência na diminuição da população, tiveram também o efeito de gerar um tipo totalmente novo de sociedade. Para colocá-lo em essência: um grupo sedentário, tranquilo e muito localizado, se converteu em um grupo belicoso e seminômade. Obviamente, este processo não foi completado em 1848, nem afetava a todas as partes componentes das massas de nativos igualmente. Mas seus inícios haviam se tornado muito aparentes.” (228)

No entanto, nem todos os índios reagiram ferozmente à invasão do Anglo branco. Os Maidu, vizinhos do vale dos Yahi mais para o sul, parecia que não haviam posto muita resistência ao ataque dos brancos próximos a suas terras, como o escritor maidu, Marie Potts, indicou:

“A medida em que chegaram mais homens brancos, drenaram a terra. Os ranchos se desenvolveram tão rápido que, depois de havermos tido um país de montanhas e prados para nós mesmos, nos convertemos em obreiros ou desabrigados. Sendo pessoas pacíficas e inteligentes, nos adaptamos como melhor pudemos. Sessenta anos mais tarde, quando demos conta de nossa situação e apresentamos nosso caso ao United States Land Commission, nosso pedido se resolveu por setenta e cinco centavos o acre.

Não ouve levantamentos na zona maidu. Os colonos brancos que chegaram a nossa zona estavam contentes de ter mão de obra indígena, e os registros mostram, por vezes, um negócio justo”. (Potts, 10)

Como observado anteriormente, os Yahi eram hostis, até mesmo com tribos indígenas próximas a eles, e de maneira brutal. Ms. Potts se refere às relações dos Yahi com os maidu:

“Os Mill Creeks (Yahi) eram o que para nós “significa” gente perigosa. Haviam matado muitos de nós, até mesmo pequenos bebês. Eles vigiaram, e quando nossos homens estavam ausentes na caça ou em alguma atividade, atacaram as mulheres, as crianças e os mais velhos. Quando o homem voltou da caça encontrou sua esposa morta e seu bebê caído no solo, comido pelas formigas.

Depois os Mill Creeks haviam matado a numerosos brancos, se inteiraram de que os brancos estavam reunindo voluntários para invadi-los e puni-los. Com isso, estabeleceram um sistema de alarme para serem alertados, vivendo na mira de canhões, em uma zona improdutiva”. (Ibid, 41)

Quando os colonos brancos chegaram a encontrar ouro na Califórnia na década de 1840 e início da década de 1850, trouxeram com eles o modus operandi de “o único índio bom, é o índio morto”. Não havia amor entre eles e os Yahi, então os Yahi foram persuadidos a aprimorar suas formas rígidas e intransigentes em uma guerra de guerrilhas de terror contra os brancos. Stephen Powers que escreveu sobre em 1884, descreve o Yahi na seguinte passagem:

“Se os Nozi são um povo peculiar, eles [os Yahi] são extraordinários; se o Nozi parece estrangeiro da Califórnia, estes são duplamente estrangeiros. Parece provável que esteja presenciando agora um espetáculo sem paralelo na história humana – o de uma raça bárbara em resistência à civilização com armas em suas mãos, até o último homem e a última mulher, e o último pappoose… [Eles] infligiram crueldade e torturas terríveis em seus cativos, como as raças Algonkin. Seja como for, as abominações das raças indígenas podem ter perpetrado a morte, a tortura em vida era essencialmente estranha na Califórnia.” (Heizer y Kroeber, 74)

O antropólogo californiano Alfred Kroeber, especula sobre as tendências bélicas dos Yahi:

“Sua reputação bélica pode ser, em parte, devida a resistência oferecida contra os brancos por um ou dois de seus bandos. Mas se a causa disso era, em realidade, uma energia superior e a coragem ou um desespero incomum ajudado pelo entorno, ainda pouco povoado, e o habitat facilmente defensável, é mais duvidoso. Eram temidos por seus vizinhos, como os maidu, eles preferiram estar famintos na montanha ao invés de se enfrentar. O habitante da colina tem menos a perder lutando que o habitante rico. Também está menos exposto e, em caso de necessidade, tem melhor e mais numerosos refúgios disponíveis. Em toda a Califórnia, os povos das planícies se inclinaram mais para a paz, embora fossem fortes em quantidade numerosa: a diferença é a situação que se reflete na cultura, não em qualidade inata.” (ibid, 161)

Jeremías Curtin, um linguista que estudou as tribos indígenas da Califórnia no final do século XIX, descreve a natureza “renegada” da tribo de Ishi:

“Certos índios viviam, ou melhor, estavam de tocaia, os Miil Creek rondavam em lugares selvagens ao leste da Tehama e ao norte de Chico. Estes índios Mill Creek eram fugitivos; estavam fora da lei de outras tribos, entre outros, dos Yanas. Para ferir a estes últimos, foram a um povoado Yana aproximadamente em meados de agosto de 1864, e mataram a duas mulheres brancas, a senhora Allen e a senhora Jones. Quatro crianças também foram dadas como mortas, mas depois se recuperaram. Depois dos assassinatos perpetrados pelos Mill Creek, eles voltaram a casa inadvertidamente, e com eles, levando vários artigos saqueados.” (Ibid, 72)

Um cronista detalhou outra atrocidade yahi na seguinte passagem:

“A matança das jovens Hickok foi em junho de 1862. Filhos do povo Hickok, duas meninas e um menino foram colher amoras em Rock Creek, cerca de três quartos de uma milha de sua casa, quando foram rodeados por vários índios. Primeiro dispararam contra a menina mais velha, ela tinha dezessete anos, atiraram e deixaram-na completamente nua. Em seguida, dispararam contra a outra jovem, mas ela correu a Rock Creek e caiu de cara na água. Não levaram sua roupa, pois ela ainda tinha seu vestido. Neste momento, Tom Allen entrou em cena. Ele transportava madeira de construção para um homem chamado Keefer. De imediato atacaram a Allen. Foi encontrado com o coro cabeludo arrancado e com a garganta cortada. Dezessete flechas haviam sido disparadas contra ele, e sete o atravessaram.” (Ibid, 60)

Mrs. A. Thankful Carson, esteve cativa pelos Mill Creeks ou índios Yahi, também descreveu outros exemplos de brutalidade Yahi:

“Um menino de uns doze anos de idade morreu da forma mais bárbara: cortaram-lhe os dedos, a língua, e se supõe que pensavam em enterrá-lo com vida, mas quando foram vê-lo já estava morto. Em outra ocasião, um homem chamado Hayes estava cuidando de suas ovelhas. Em algum momento durante o dia, ele foi a sua cabana e se viu rodeado por quinze índios. Eles o viram chegar: ele virou-se e correu, os índios começaram a disparar flechas sobre ele, foi de árvore em árvore. Por último, atiraram com uma arma de fogo que atravessou seu braço. Ele conseguiu escapar da captura por um estreito buraco”. (Ibid, 26)

Outro cronista local, H.H Sauber, descreve o raciocínio de caça dos Yahi ao extermínio:

“Uma vez assassinaram a três crianças em idade escolar a menos de dez milhas de Oroville, e a mais de quarenta milhas de Mill Creek. Pouco depois, mataram a um carreteiro e dois vaqueiros durante a tarde, e foram vistos à distância em carroças carregadas com carne bovina roubada através das colinas, antes que ninguém soubesse que eram eles por trás do ato. Outras vítimas, demasiadamente numerosas para mencioná-las, haviam caído em suas implacáveis mãos. Em suma, eles nunca roubaram sem assassinar, embora o delito pudesse ajudá-los no início, o fato só poderia exacerbar mais os brancos a se voltarem contra eles”. (Ibid, 20)

Alfred Kroeber fez eco sobre esse sentimento em 1911 com um ensaio sobre os Yahi, onde afirmou:

“O Yana do sul, os Mill Creeks, se reuniram com um destino muito mais romântico que seus parentes. Quando o americano veio à cena, tomaram possessão de suas terras para a agricultura ou pecuária, e à base da ponta do rifle propuseram a eles que se retirassem e não interferissem, como ocorreu antes de que houvesse passado dez anos após a primeira corrida do ouro, os Mill Creeks, como muitos de seus irmãos, resistiram. Não se retiraram, no entanto, após o primeiro desastroso conflito aprenderam a esmagadora superioridade das armas de fogo do homem branco e sua organização e humildemente desistiram e aceitaram o inevitável. Em troca, apenas endureceram seu espírito imortal na tenacidade e o amor à independência, e começaram uma série de represálias energéticas. Durante quase dez anos mantiveram uma guerra incessante, destrutiva e principalmente contra si próprios, mas, no entanto, sem precedentes em sua teimosia com os colonos dos municípios de Tehama e Butte. Apenas recuperados de um só golpe, os sobreviventes atacavam em outra direção, e em tais casos não poupavam nem idade nem sexo. As atrocidades cometidas contra as mulheres brancas e contra as crianças despertaram o ressentimento dos colonos em maior grau, e cada um dos excessos dos índios foi mais que correspondido, e, no entanto, embora o bando tivesse diminuído, mantiveram a luta desigual.” (Ibid, 82)

Theodora Kroeber tenta moderar estas contas com as suas próprias reflexões sobre a brutalidade e “criminalidade” dos Yahi:

“Os índios tomavam sua parte, os cavalos, mulas, bois, vacas, ovelhas, quando e onde pudessem, sem esquecer de que estes animais eram alimento e roupa para eles. Fizeram cobertores e capas destas peles, secaram os coros, e fizeram “charqui” ou “jerki” da carne que não era comida fresca. Em outras palavras, trataram os animais introduzidos pelos europeus da mesma forma que faziam com os cervos, ursos, alces, ou coelhos. Eles parecem não ter percebido que os animais foram domesticados, e o cachorro era o único animal que eles sabiam que estava domesticado. Roubaram e mataram para viver, não para acumular rebanhos ou riquezas, os índios realmente não entendiam que o que eles levavam era a propriedade privada de uma pessoa. Muitos anos mais tarde, quando Ishi havia passado da meia idade, se enrubescia de uma dolorosa vergonha cada vez que recordava tudo isso aos padrões morais dos brancos. Ele e seus irmãos Yahi haviam sido culpados de roubo.” (61)

Theodora Kroeber em seu trabalho não parece abordar profundamente o estilo brutal dos Yahi na guerra, sublinhando que o que ocorreu era apenas para enfrentar a invasão massiva dos brancos sobre suas terras.

Ishi

Apesar de ter “a vantagem do campo” e um foco excepcionalmente energético para atacar a seus inimigos, os Yahi foram caçados gradualmente e destruídos até que restassem apenas alguns. Em 1867 e 1868, no massacre da caverna Kingsley foram mortos 33 Yahi homens, mulheres e crianças, sendo este o último grande golpe dos brancos aos últimos Yana selvagens.

Como Theodora Kroeber afirma:

“Ishi era uma criança de três ou quatro anos de idade na época do massacre de Tres Lomas, idade suficiente para recordar as experiências carregadas de terror. Ele tinha oito ou nove anos quando houve o massacre da caverna Kingsley e, possivelmente, fez parte da limpeza da caverna e da eliminação ritualística dos corpo das vítimas. Entrou na clandestinidade, na qual cresceria sem ter mais de dez anos de idade”. (Ibid, 91)

Com a derrota militar aberta dos Yahi, os selvagens começaram um tempo de clandestinidade, que A.L. Kroeber classificaria como; “a menor e mais livre nação do mundo, que por uma força sem precedentes e a teimosia do caráter, conseguiram resistir à maré da civilização, vinte e cinco anos mais até mesmo do que o famoso bando Geronimo, o Apache, e durante quase trinta e cinco anos depois de que os Sioux e seus aliados derrotaram Custer”. (Heizer y Kroeber, 87)

Os restantes Yahi ocultos e perseguidos, se reuniram e roubaram tudo o que puderam em circunstâncias difíceis. Acendiam suas fogueiras de modo que não era possível ver desde longas distâncias, tinham seus assentamentos não longe dos lugares que os brancos normalmente viajavam e frequentavam. Logo, sua presença se converteu em um rumor e, em seguida, uma mera lenda. Ou seja, apenas alguns anos antes de Ishi adentrar à civilização, seu acampamento foi encontrado próximo a Deer Creek em 1908. Ishi e alguns índios restantes escaparam, mas ao longo de três anos, Ishi estava sozinho, havia tomado a decisão de caminhar em direção ao inimigo, onde estava seguro de que, sem dúvida, iriam matá-lo, assim como fizeram com o resto do seu povo.

Em 1911, no entanto, através da benevolência problemática dos vencedores, Ishi passou de um inimigo declarado a uma celebridade menor, se mudando então para San Francisco e tendo um fluxo constante de visitantes que iam ao museu onde viveu. As pessoas estavam fascinadas por este homem que era a última pessoa real da Idade da Pedra na América do Norte, alguém que podia fabricar e esculpir suas próprias ferramentas ou armas de pedras e paus. Ishi “fez as pazes” com a civilização, e até mesmo amigos. Desenvolveu suas próprias preferências de alimentos e outros bens, e manteve meticulosamente sua propriedade assim como tinha feito quando viveu quarenta anos na clandestinidade. Porém, em menos de cinco anos de ter chegado à civilização, Ishi, o último Yahi, sucumbiu a talvez uma das doenças mais civilizadas de todas: a tuberculose.

No entanto, houve alguns detalhes bastante interessantes que são fonte indicativa da atitude de Ishi frente a vida na civilização. Ishi se negou a viver em uma reserva, e escolheu viver entre os brancos, na cidade, distante dos índios corruptos que há muito tempo haviam se entregado aos vícios da civilização.

Como T. T. Waterman declarou em uma referência indireta a Ishi em um artigo de uma revista, ele escreveu:

“Sempre acreditamos nos relatos de várias tribos formadas por estes renegados Mill Creek. A partir do que aprendemos recentemente, parece pouco provável que houvesse mais de uma tribo em questão. Em primeiro lugar, o único membro deste grupo hostil que nunca foi questionado, [diga-se, Ishi], expressa o desgosto mais animado com todas as demais tribos. Parece, e sempre pareceu, mais disposto a fazer amizades com os próprios brancos que com os grupos vizinhos de índios. Em segundo lugar, todas as outras tribos indígenas da região professam o horror mais apaixonado para os Yahi. Este temor se estende até mesmo ao país hoje em dia. Mesmo os Yahi e os Nozi, embora falassem vários dialetos de uma mesma língua (o chamado Yana), expressavam a mais implacável hostilidade entre si. Em outras palavras, os índios que se escondiam ao redor das colinas de Mill Creek durante várias décadas depois da colonização do vale, eram provavelmente a remanescência de um grupo relativamente puro, já que havia poucas possibilidades de mescla.” (Heizer y Kroeber, 125)

[Cabe apontar aqui que Orin Starn rechaça a ideia da pureza étnica dos Yahi no período histórico, mas não mostra nenhuma razão por trás disso (106). Esta questão será tratada mais adiante.]

Em seu cativeiro voluntário na civilização, Ishi se destacou por sua sobriedade e equanimidade para com aqueles ao seu redor, dedicado às tarefas que lhe foram atribuídas no museu em que vivia, e também para mostrar a fabricação de artefatos que utilizava para a sobrevivência. Theodora Kroeber descreve a atitude geral de Ishi em relação ao seu entorno civilizado:

“Ishi não foi dado ao voluntariado, ele criticava as formas do homem branco, porém era observador e analítico e, quando pressionado, podia fazer um julgamento ou ao menos algo assim. Estava de acordo com as “comodidades” e a variedade do mundo do homem branco. Ishi e muito menos qualquer outra pessoa que tenha vivido uma vida de penúrias e privações subestimam uma melhora dos níveis de prioridade, ou o alcance de algumas comodidades e até mesmo alguns luxos. Em sua opinião, o homem branco é sortudo, inventivo, e muito, muito inteligente; porém infantil e carente de uma reserva desejável, e de uma verdadeira compreensão da natureza e sua face mística; de seu terrível e benigno poder.”

Perguntado como hoje em dia caracterizaria a Ishi, [Alfred] Kroeber disse:

“Era o homem mais paciente que conheci. Me refiro a que dominou a filosofia da paciência, sem deixar traço algum de autopiedade ou de amargura para adormecer a pureza de sua alegria. Seus amigos, todos testemunham a alegria como uma característica básica no temperamento de Ishi. Uma alegria que passou, dada a oportunidade, a uma suave hilaridade. O seu era o caminho da alegria, o Caminho do Meio, que deve perseguir em silêncio, trabalhando um pouco, brincando e rodeado de amigos.” (239)

Desde o ponto de vista eco-extremista ou anti-civilização, estes últimos anos de Ishi pareceram problemáticos, mesmo contra a narrativa desejada. Até mesmo Theodora Kroeber utiliza a magnanimidade aparente de Ishi como foi, “aceitar gentilmente a derrota” e, “os caminhos do homem branco”, “até ser um apoio das ideias do humanismo e do progresso” (140). No entanto, esta é uma simples questão de interpretação. Não se pode julgar uma pessoa que viveu quarenta anos na clandestinidade, e viu a todos seus seres queridos morrerem violentamente, pela idade, ou por doenças, e fazer um julgamento sobre tudo quando ele estava à beira da inanição e da morte. Apesar de tudo, Ishi agarrou-se à dignidade e a sobriedade que é, ironicamente, a essência do selvagismo como Ishi o via. Acima de tudo, no entanto, Ishi deu testemunho deste selvagismo, se comunicava, e rechaçava aqueles que o haviam dado as costas e abraçado os piores vícios de seus conquistadores. Como os editores da Revista Regresión declararam em sua resposta em relação com os chichimecas que haviam se “rendido” aos brancos no século XVI. O artigo, da revista “Ritual Magazine”:

“San Luis de la Paz no estado de Guanajuato é a última localização chichimeca registrada, especificamente na zona de Misión de Chichimecas, onde é possível encontrar os últimos descendentes: os Chichimecas Jonáz, que guardam a história contada de geração em geração sobre o conflito que pôs em xeque o vice-reinado naqueles anos.”

Um membro do RS (Reacción Salvaje) conseguiu estabelecer conversações com algumas pessoas deste povoado, dos quais evitaram seus nomes para prevenir possíveis ligações com o grupo extremista.

Nas conversações os nativos engrandecem a selvageria dos chichimecas-guachichiles, enaltecem orgulhosamente seu passado em guerra, eles mencionaram que, após o extermínio dos últimos selvagens, caçadores-coletores e nômades, os demais povos chichimecas que haviam se salvado da morte e da prisão decidiram ceder terreno e ver os espanhóis que seguiam sua religião, que compartilhavam seus novos mandatos e que se adaptariam à vida sedentária, tudo isso a fim de manter viva sua língua, suas tradições e suas crenças. Inteligentemente os anciões daquelas tribos juntamente com os curandeiros (madai coho), que haviam descido os montes para viver em paz depois de anos de guerra, decidiram adaptar-se, desde que suas histórias e seus costumes não fossem também exterminados, de modo que fossem deixados como herança às gerações futuras.”

Se não fosse por Ishi ter adentrado à civilização no lugar de escolher morrer no deserto, nunca conheceríamos sua história, ou a história do último bando livre de índios selvagens na América do Norte. Portanto, mesmo na derrota, a “rendição” de Ishi é realmente uma vitória para a Natureza Selvagem, uma vitória que pode inspirar aqueles que vem atrás dele para participar em lutas semelhantes de acordo com a nossa própria individualidade e habilidades.

Cabe apontar por meio de um posfacio que muitos historiadores “revisionistas” veem a história de Ishi de uma maneira muito mais complicada que a história inicial contada pelos antropólogos que o encontraram. Alguns estudiosos pensam que devido a sua aparência e a forma com que polia suas ferramentas de pedra, Ishi pode ter sido racialmente maidu ou ter metade do sangue maidu-yahi. Isso não seria surpreendente, pois os Yahi muitas vezes invadiam tribos vizinhas para levarem mulheres (Kroeber y Kroeber, 192). Os linguistas descobriram que os Yahi tinham muitas palavras adotadas do espanhol, postulando que alguns do bando de Ishi haviam deixado as colinas em um passado não muito distante e trabalharam para os pecuaristas espanhóis no vale, regressando às colinas somente quando chegaram os anglo-saxões hostis. Embora os estudiosos pensem que estejam descobrindo as matizes da história Yahi, na verdade muitas de suas ideias estavam nos informes originais, sem destacar.

Além disso, o próprio Starn, aliás, bastante revisionista, admite a possibilidade de que Ishi e seu bando permaneceram escondidos nas colinas devido a um conservadorismo notável em sua forma de vida e visão de mundo:

“Esse Ishi estava aqui tão detalhado e entusiasta [em recontar os contos Yana], Luthin e Hinton insistem, evidenciaram “seu claro respeito e amor” para as formas tradicionais Yahi, no entanto, a vida foi difícil para os últimos sobreviventes nos confins das inacessíveis colinas. Além do temor de ser enforcado ou fuzilado, a decisão tomada por Ishi e seu pequeno bando de não se render também pode ter mensurado apego a sua própria forma de vida: uma fumegante tigela de bolota cozida em uma manhã fria, as preciosas noites estreadas, e o ritmo tranquilizador das estações.” (116)

Lições da guerra Yahi

Serpenteei desde o início deste ensaio, mas o fiz de propósito. A intenção foi deixar que Ishi e os Yahi, a última tribo selvagem da América do Norte, falassem por si mesmos, ao invés de envolver-me em polêmicas simples onde slogans desleixados desviam a atenção real e profunda do tema. O que está claro é que os Yahi não fizeram a guerra como cristãos ou humanistas liberais. Eles assassinaram a homens, mulheres e crianças. Roubaram, atacaram secretamente, e fugiram para as sombras depois de seus ataques. Não eram muito queridos até mesmo por seus companheiros índios, aqueles que deveriam ter sido tão hostis à civilização como eram antes. Mesmo a perspectiva de uma derrota certa não os impediu que dessem início a uma escalada de ataques até que restassem apenas alguns deles. Uma vez alcançado esse ponto, literalmente resistiram até o último homem. Com isso, o eco-extremismo compartilha ou ao menos aspira a muitas destas mesmas qualidades.

Os Yahi foram um exemplo perfeito do que o eco-extremista procura, como observado no editorial da Revista Regresión número 4:

“Austeridade: as necessidades materiais são um problema para os membros desta decadente sociedade, embora alguns não as vislumbrem e se sintam felizes cobrindo-as com a vida de escravos que levam. A maioria das pessoas está sempre tentando pertencer a certos círculos sociais acomodados, sonham com luxos, com comodidades, etc., e para nós isso é uma aberração. A simplicidade, manejá-la com o que tenha em mãos, e afastar-se dos vícios civilizados recusando o desnecessário são características muito notórias dentro do individualista do tipo eco-extremista.”

Os Yahi, assim como muitas das tribos chichimecas que estavam no que hoje é o México, viveram em uma “inóspita” região montanhosa ao contrário de seus vizinhos mais acomodados e numerosos nas terras baixas; isso foi o que ocorreu, mesmo antes da chegada dos europeus. Estes vizinhos, em particular os Maidu, não se defenderam contra a civilização, já que sua vida relativamente acomodada fez com que resultasse mais favorável a aceitar a forma de vida civilizada. Ao contrário dos reinos mesoamericanos, os Maidu não conheciam a agricultura, mas estavam, no entanto, já “domesticados” a certo nível.

Foi a cultura dura e espartana dos Yahi que fortaleceu sua oposição aos europeus, até mesmo quando mostraram um poder superior, inclusive quando estava claro que se tratava de uma guerra de extermínio que provavelmente perderiam. Redobraram seus esforços e lutaram sua própria guerra de extermínio na medida do possível, sem diferenciar nem mulheres nem crianças. Através da astúcia, o engano, e tendo um conhecimento superior da paisagem, empreenderam uma campanha de terror contra os brancos, uma campanha que confundiu a todos os que estudaram as tribos indígenas da região. Até mesmo outros índios os temiam (também outras pessoas que dizem se opor à civilização excomungando os eco-extremistas), já que não dividiam o mundo em dicotomias ordenadas de índios contra brancos. Para eles, aqueles que não estavam do seu lado eram inimigos e foram tratados como tal.

A guerra dos Yahi foi indiscriminada e “suicida”, assim como a luta eco-extremista pretende ser. “Indiscriminada” no sentido de que não é regida por considerações humanistas ou cristãs. Não tinham considerações por quem poderia ter sido “inocente” ou “culpado”: foram atacados a todos os não-Yahi, a todos os que haviam se rendido às formas genocidas do homem branco. Os Yahi não pretendiam fazer amizade com outras tribos, mesmo quando Ishi chegou à civilização, se negava a se associar com os índios de sua região que se renderam tão facilmente à civilização branca. Para preservar sua dignidade, preferiu permanecer com o vencedor em vez de estar com os vencidos. A guerra Yahi era “suicida”, uma vez que não teve considerações com seu futuro: seu objetivo era viver livre no aqui e agora, e atacar aqueles que estavam os atacando, sem medir as consequências. Isto se deve a sua forma de vida que foi forjada às margens dos terrenos hostis, e grande parte de sua dignidade focou-se no ataque aos que eles consideravam flexíveis e não autênticos. Não havia futuro para os Yahi na civilização porque não havia espaço para um compromisso com a civilização.

Aqui vou especular (puramente baseado em minha opinião) a respeito de porque que alguém poderia adotar pontos de vista eco-extremistas em nosso contexto. Claro, há muito furor, talvez até mesmo raiva envolvida. Penso que ali seria necessário realizar tais ações. No entanto, o que faz o amor eco-extremista? Os seres humanos modernos estão tão distantes da Natureza Selvagem, tão insensíveis, adotando um modo de vida a qual dependem da civilização para todas suas necessidades, se queixam caso alguém resulte ferido devido a explosão de um envelope, no entanto, minimizam a importância ou até mesmo apoiam a destruição de uma floresta, um lago ou um rio para o benefício da humanidade civilizada. São tão insensíveis à sua natureza que pensam que a própria natureza é um produto de sua própria inteligência, que as árvores apenas caem nas florestas para que possam ouvi-las, e que a condição sine qua non da vida na Terra é a contínua existência de oito bilhões de famintos e gananciosos. Se alguém está cego pelo ódio, é o humanista, os esquerdistas e sua apologia da “lei e a ordem”, que faz de sua própria existência uma condição não negociável para a continuidade da vida na Terra. Se lhes for dada a escolha de optar entre a destruição do planeta e de sua própria abstração amada chamada “humanidade”, prefeririam destruir o mundo ao ver a humanidade falhar.

O que é ainda mais triste é que a maioria dos seres humanos civilizados nem sequer estão agradecidos pelos nobres sentimentos dos anarquistas e esquerdistas. Para eles são apenas punks que lançam umas bombas e que deveriam dar uma relaxada, ir a uma partida de futebol, e deixar de incomodar aos demais com sua política ou solidariedade. A esquerda/anarquista tem Síndrome de Estocolmo com as massas que nunca vão escutá-los, e muito menos ganhar sua simpatia. Eles querem ser vistos com bons olhos pela sociedade, embora a sociedade nunca dará qualquer atenção, e muito menos a eles. Se negam a ver a sociedade como inimiga, e é por isso que estão juntos a ela, sem entender o porque do sonho iluminista ter falhado, por isso todos os homens nunca serão irmãos, por isso a única coisa a qual os seres humanos civilizados são iguais é em sua cumplicidade na destruição da Natureza Selvagem. O objetivo deles é ser os melhores alunos da civilização, mas serão sempre os criminosos, os forasteiros, os anarquistas sujos que precisam conseguir um trabalho.

O eco-extremismo crescerá porque as pessoas sabem que este é o fim do jogo. Na verdade, desde os muçulmanos aos cristãos a todo tipo de outras ideologias, o apocalipse está no ar, e nada pode detê-lo. Isso é porque a civilização é a morte, e sempre foi. Sabe que o homem não pode ser dominado, que a única maneira de fazer isso é submetê-lo para transformá-lo em uma máquina, para mecanizar seus desejos e necessidades, para eliminar a partir do profundo de seu caos, que é a natureza selvagem. Neste sentido, o espírito de Ishi e os Yahi permanecerão e sempre estarão reaparecendo quando você menos esperar, como uma tendência e não como uma doutrina, como um grito que combate hoje sem medo do amanhã. O eco-extremismo não terá fim, porque é o ataque selvagem, o “desastre natural”, o desejo de deixar que o incêndio arda, dançando em torno dele. O anarquista recua e o esquerdista se espanta, porque sabem que não podem derrotá-lo. Continuará, e consumirá tudo. Serão queimadas as utopias e os sonhos do futuro civilizado, restando apenas a natureza em seu lugar. Para o eco-extremista, este é um momento de alegria e não de terror.

– Chahta-Ima
Nanih Waiya, primavera de 2016
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Bibliografia

“The Physical and Demographic Reaction of the NonmissionIndians in Colonial and Provincial California” in Cook, Sherburne F. The Conflict Between the California Indian and White Civilization. Berkeley: University of California Press, 1976.
Heizer, Robert and Kroeber, Theodora (Editors). Ishithe Last Yahi: A Documentary History. Berkeley: University of California Press, 1979.
Kroeber, Karl and Kroeber, Clifton (Editors). Ishiin Three Centuries. Lincoln: University of Nebraska Press, 2003.
Kroeber, Theodora. Ishiin Two Worlds. Berkeley: University of California Press, 1976.
Potts, Marie. The Northern Maidu. Happy Camp, CA: NaturegraphPublishers Inc. 1977.
Starn, Orin. Ishi’sBrain: In Search of America’s Last “Wild” Indian. New York: W.W. Norton & Company, 2004


(México) Reivindicação do Assassinato de um Trabalhador da UNAM: Décimo Comunicado de Individualistas Tendendo ao Selvagem (ITS)

Andamos à caça, na noite de ontem nos convertemos em lobos, nossa sede de sangue se saciou por uns momentos, enquanto os demônios de nossos antepassados se apoderavam de nossas mentes e nossos corpos.

Perambulamos pela Cidade Universitária, um dos berços do progresso humano, lugar onde se forjam as presunçosas mentes profissionais que propuseram a desprezível finalidade de construir um “amanhã melhor”, esse “amanhã melhor” que está manchado pela destruição da Terra, pela desaparição dos instintos do indivíduo e pela domesticação das espécies.

Nós NÃO acreditamos em um “amanhã melhor”, não somos “revolucionários” nem nos identificamos com suas ideologias recicladas, somos individualistas terroristas com objetivos egoicos, politicamente incorretos, amorais e indiscriminados.

Cidade Universitária, lugar onde ultimamente o “Grupo Oculto Fúria de Lince” do ITS, e o grupo “Guerra Eco-extremista Guamera” haviam atentado, (em 25 e 8 de abril deste ano respectivamente), e que as autoridades silenciaram seus ataques. Agora não serão capazes de silenciar isto…

Apunhalamos ontem o chefe de serviços químicos da Faculdade de Química da UNAM, nossa faca perfurou sua carne, músculos e veias, fazendo ele sangrar até a morte e o deixando sem vida. É uma pena que não pudemos arrancar o coro cabeludo como vitória (assim como faziam nossos antepassados em guerra), fica para a próxima…

Já havíamos dito em nosso primeiro comunicado em janeiro deste ano, “os feridos e mortos que causaremos serão uma oferenda de sangue para a Natureza Selvagem”, e não estamos de brincadeira. Executamos este homem para demonstrar que NÃO sentimos respeito pela vida dos hiper-civilizados universitários nem de nenhum outro, que DESPREZAMOS suas rotinas, suas normas e sua moral, que RECHAÇAMOS a igualdade, o progresso humano, a tolerância, a ciência, o coletivismo, o cristianismo, o pacifismo, a modernidade e outros dejetos que cheiram à domesticação civilizada.

Ninguém, nenhuma pessoa dentro desta pútrida civilização merece consideração, e muito menos os fedidos progressistas e humanistas que se escondem nas faculdades desta universidade e de outras.

Esta civilização com seus valores e princípios que passam por cima do indivíduo, com seus trabalhos e seus estudos, com suas leis e suas crenças religiosas, com suas monótonas regras e sua hipocrisia, quer arrancar nossos instintos mais selvagens (neste caso, fazendo com que o assassinato seja marcado como “mau”, sendo este, uma consequência de uma guerra sem moral), mas fracassaram e a prova está no “homicídio doloso” que cometemos sem problema algum.

Tenham mais cuidado estudantes, docentes, investigadores da UNAM e outras universidades, que não exitaremos em atacar mortalmente de novo…

Continuando com o “Funeral Niilista” começado por “Individualidades Tendendo ao Selvagem” (its) em 2011, quando assassinaram com um tiro o biotecnólogo Ernesto Méndez Salinas em Cuernavaca, continuando com a aniquilação da vida perpetrada pelo “Grupúsculo Indiscriminado” em Março deste ano quando assassinaram a um estudante de informática do IPN em Iztacalco.

Que o Eco-extremismo e o Terrorismo Niilista sigam crescendo no México, Chile, Argentina, Itália e outros lugares.

Com a Natureza Selvagem do nosso lado!

 Individualistas Tendendo ao Selvagem – Cidade do México

– Máfia Eco-extremista/Niilista


(México) Segundo comunicado dos Individualistas Tendendo Para o Selvagem (ITS)

Chikomoztok
Lua crescente de Fevereiro

“Individualistas Tendendo Para o Selvagem” se responsabiliza pelos seguintes atos:

28 de Janeiro de 2016:

– Artefato explosivo ativado por sistema de relógio contra a “Comissão Nacional de Água” (Conagua), localizada na Av. Insurgentes Sur, Delegación Tlalpan, México, D.F.

O artefato gerou mobilização da polícia.

– Explosivo artesanal detonado na “Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação” (Sagarpa), na Avenida Presidente Juárez de Tlalnepantla de Baz, Estado do México.

O explosivo deixado em frente a Secretaria em pleno centro de Tlalnepantla, por volta das 21 horas, explodiu com sucesso deixando a dois civis feridos, a explosão e estilhaços atingiram a alguns carros próximos gerando grande mobilização policial e militar na área.

3 de Fevereiro de 2016:

– Detonamos uma carga explosiva em frente ao conglomerado de departamentos chamado “Tec Siuts”, onde vivem estudantes do Tec de Monterrey, este localizado na rodovia Lago de Guadalupe en Atizapán, Estado de México.

– Um artefato explosivo de fabricação caseira foi detonado em uma das entradas do Tec de Monterrey, assim como na rodovia Lago de Guadalupe no mesmo município.

Com estes dois atos lhes fazemos recordar a todos os ligados com esta instituição acadêmica privada que, seguimos em Guerra contra os que promovem e desenvolvem o Progresso Científico-Tecnológico, os quais se escondem atrás das paredes desta aberrante universidade (e de outras).

8 de Fevereiro de 2016:

– Um pacote-bomba de ativação eletromecânica composto de dinamite, foi abandonado nas oficinas centrais de Sagarpa na Colônia Tabachines do município de Zapopan, Jalisco. O pacote estava dirigido ao titular da instituição federal.

– Um pacote-bomba de ativação similar, porém composto por um tubo de papelão maciço preenchido com pólvora negra foi abandonado nas oficinas do “Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia” (Conacyt), dirigido ao encarregado da instituição, na Colonia Vallarta San Jorge em Guadalajara, Jalisco.

Embora ambos explosivos não lograram seu objetivo (segundo informou a mídia), o qual era ferir ou privar da vida as pessoas-objetivos, se gerou grande mobilização policial e militar em ambos municípios, a imprensa cobriu a história afirmando: “um especialista em explosivos da polícia comentou que embora os artefatos não continham uma grande quantidade de elementos explosivos, eles poderiam haver causado danos letais a quem estivesse em um raio muito próximo”.

Que se saiba que o ITS também se encontra em Jalisco, esta foi apenas uma prova, seguiremos empenhados em aterrorizar, ferir, mutilar e inclusive assassinar aos cínicos responsáveis que por trás de uma instituição se dizem “preocupados” com a natureza, mas que sem mudança alguma, são responsáveis diretos pela devastação e a domesticação dela.

Nada acabou, a Guerra continua!
Axkan Kema, Tehuatl, Nehuatl!!

Individualistas Tendiendo a lo Salvaje:
– Bando Feral-Delincuencial (Jalisco)
– Grupo Oculto “Furia de Lince” (DF)
– Ouroboros Silvestre (Estado do México)

Posfácio para as agências federais de segurança:

Nervosos porque os grupos de ataque e terrorismo contra a civilização estão a multiplicar-se?

Nervosos porque a aberrante e asquerosa visita do papa está a virar a esquina, porque seguimos nas ruas, e porque não conseguiram nos parar?

Lhes sobram razões para estar e seguirem nervosos…


Cidade do México: Ataques aos Instituto de Ciências Nucleares (UNAM) e Centro de Investigação em Computação (IPN)

Dois objetivos foram atacados na Cidade do México antes da lua nova:

Segunda – feira, 5 de Outubro: Durante a noite colocamos um explosivo artesanal na entrada do Instituto de Ciências Nucleares (ICN) da UNAM, em plena Cidade Universitária. Enquanto os guardas ouviam cumbias, escapulimos-nos por entre as sombras e conseguimos deixar o dispositivo sem problemas.

O ICN é o berço dos físicos mais proeminentes da UNAM e de outras universidades, os que persistem em desenvolver e perpetuar a Morte Tecnológica, mais conhecida como “Ciência Nuclear”.

Quarta-feira, 7 de Outubro: De manhã, abandonámos um livro-bomba  – na entrada do Centro de Investigação em Computação (CIC) – dirigido à comunidade do IPN (na delegação Gustavo A. Madero); enquanto os polícias da banca e da indústria resguardavam o instituto, estávamos a sair tranquilamente, abandonando o explosivo sem pressa.

O CIC é um dos centros mais importantes do país, especializado em informática, engenharia, inteligência artificial e tudo o que tem a ver com a artificialidade, acérrima inimiga da natureza selvagem. Dentro das suas instalações, também se esconde uma quantidade considerável de aberrantes tecno-lerdos, do Sistema Nacional de Investigadores (SNI).

Guerreando ao lado de tudo o que é Selvagem
Contra o sistema tecnológico

Círculo Eco-extremista de Terrorismo e Sabotagem.


Ação – Reação: Sobre os confrontos no Palácio Nacional

Cidade do México, 21 de Novembro de 2014

Ontem à noite, terminada a concentração pelos normalistas desaparecidos de Ayotzinapa, Guerrero, realizada no zócalo capitalino, alguns grupúsculos de Reacción Salvaje (RS) decidiram sublevar-se, quebrando a linha divisória da paz e dos bons modelos,  imposta pelos líderes e participantes dos movimentos sociais durante as suas marchas – servindo isso para nos camuflar e desestabilizar a coexistência cidadã e o desfile – marcha daquelxs que detestam todas as luzes da confrontação directa. Foi assim que contribuímos para os tumultos desatados que ocorreram frente ao Palácio Nacional, símbolo e bastião dos que decidem sobre o indivíduo e permitem a devastação da natureza selvagem perpetuada pelas indústrias, verdadeiros donos deste país.

Os motins que ocorreram, contra o emblemático Palácio Nacional, não foram um incidente isolado antes sim um ato que mostra claramente as dimensões da crise económica, social e política no país. O evento pôs a tremer o governo federal, que desde ontem, tem utilizado os meios de comunicação massiva para espalhar a sua mensagem prostituída de “estatuto de tolerância”- para colocar a sociedade contra  a situação e para que rejeite tais atos, em consequência.

Para nós esses confrontos, em tais condições, são totalmente úteis para aumentar as tensões que levam ao enfraquecimento das esferas do poder.

Provocar tensões violentas para que as unidades anti-motim carreguem contra os cidadãos – e que, por sua vez, estes decidam defender-se no momento, aumentando o conflito – é um dos nossos objectivos no caminho da desestabilização.

Os nocivos membros do gabinete de segurança e das bocas da imprensa, tinham propagado em Setembro o rumor de que nós tínhamos “pensado” efectuar algum tipo de atentado, durante a comemoração da independência ou durante a marcha de 2 de Outubro. A sua previsão equivocada foi apenas uma visão paranóica da nossa próxima ação – derivada da sua preocupação pela emissão da nossa primeira declaração, em 14 de Agosto. É claro que todos sabiam muito bem (e não é nada de novo) que as organizações guerrilheiras anarquistas estiveram presentes no seio das mobilizações ocorridas após o desaparecimento dos referidos estudantes, que terminaram em distúrbios e danos à propriedade. Este fato mostra que os grupúsculos terroristas RS também lá se encontram. Porque, quando a crise se aprofunda, é melhor empurrar para pior…

Como já escrevemos antes, RS não é um grupo que “entenda” ou que “respeite” as massas, não participamos nas suas manifestações para nos “solidarizarmos”, nem para clamar por “paz” e “justiça” – os grupúsculos de RS querem impulsionar a situação para que vejam este sistema e esta civilização a arder e a tombar, devido às problemáticas dos seus integrantes..

E com esse objectivo, temos de nos infiltrar nas recentes manifestações com paus, explosivos, fogo, armas de fogo inclusive, que fique claro que o faremos.

Pela desestabilização do podre sistema tecno-industrial!

Reacção selvagem

Grupúsculos:
“A sangue e fogo”
“Dança de Guerra”


 

Ataque explosivo à sede da Fundação Teletón México

É verdade, não somos nada altruístas nem caritativos, isso ficou claro na noite de 14 de Novembro quando decidimos detonar uma carga explosiva na sede da “Fundação Teletón México” em Tlalnepantla, Estado do México.

Próximo do dia em que a submissa e adormecida sociedade mexicana, volta a juntar-se em frente ao televisor para se compadecer dos meninos com falta de capacidades, utilizados para acumular grandes somas de dinheiro e para que as indústrias “benevolentes” não paguem impostos, decidimos detonar o nosso explosivo que, convenhamos bem, o mero acto não tem nada a ver com a “demanda ou justiça social”, nem tampouco tem tintas políticas, nem nada do estilo. Não fosse alguém o pensar.

O nosso grémio é outro, alguns sabem-no e muito bem. Atacámos a dita Fundação, porque é uma das instituições que juntamente com a iniciativa privada e os meios massivos de comunicação, implementam a alienação aos valores do sistema tecno-industrial tais como a “solidariedade promíscua”, a “paz”, o “progresso”, o “humanismo”, etc. Porque difundem em grandes doses a moral que a sociedade deve seguir para “acalmar os ânimos”, agora que no país se vive em crise política, económica e social.

A “Fundação Teletón”, também é um organismo que juntamente com as duas universidades mais prestigiadas do México (UNAM e ITESM), se encarrega de incrementar a inovação tecnológica e científica com fins terapêuticos, quer dizer, juntos agarram-se totalmente à ideia do progresso civilizado, para fazer com que este sistema siga o seu curso. Seguramente muitos se perguntarão: E que mal tem que exista este tipo de caridade para com as pessoas desprotegidas? Talvez xs inquiridorxs não se tenham dado conta de que o sistema se mascara sempre de “monja bem intencionada” para continuar, perpetuando-se dessa forma. A tecnologia complexa terá sempre o mesmo fim, em qualquer das suas formas, seja terapêutica ou de fabricação de armas, educacional ou de destruição massiva, medicinal ou tóxica (venenosa). E essa objectivo é o de continuar existindo, sobrepondo-se à natureza selvagem, por isso o nosso ataque.

Sem mais explicações: Não somos cristãos nem nos caracteriza a nobreza, somos selvagens, não procuramos nem defendemos a caridade de nada nem com ninguém!

Reação Selvagem
“Grupúsculo Caçador Noturno”


 

Explosivo detonado na secretaria do meio ambiente em Tlalnepantla

Regressamos, tal como as lembranças que atormentam aquelxs que quiseram a todo o custo domar e destruir o selvagem.

Revivemos, através dos nossos atos, a fiereza e resistência dxs guerreirxs nativxs contra as civilizações passadas e futuras.

Atentámos, com o estrondo que nos caracteriza, contra uma das instituições que se crê com a “autoridade”, de mediar entre o destruitivismo do humano moderno e o ambiente natural desvastado. Com cinismo extremo diz trabalhar pela natureza, seja a reflorestar bosques, a promover a educação ambiental, a fazer consultoria da inspeção de veículos, a regular as áreas protegidas, etc., mas isto é só a face “boa” das instituições cúmplices do sistema tecno-industrial. A educação verde e alternativista é de hoje, pensam que ensinando a sociedade submissa a reciclar e a não lançar resíduos, estão a fazer um mundo melhor; nada mais afastado da Realidade, pois o problema não está na quantidade de lixo acumulado nem no consumismo, o problema em si é a civilização enquanto tal assim como o sistema que a suporta.

Esta “coligação” de “instituições ecológicas”, chegaram a formar cimeiras mundiais onde tratavam da problemática que enfrenta o planeta terra, no que diz respeito aos altos níveis de gases de efeito de estufa, mas esta aparente preocupação com a terra vem-se abaixo quando vemos que as grandes organizações e indústrias continuam a destruir a torto e a direito ambientes inteiros para obter lucros económicos disso.

Não acreditamos neles a respeito de nada; perante esta situação, a melhor opção é recusar a todo o custo os valores esquerdistas da sociedade, impostos pela cultura tecno-verde, e atentar contra a hipocrisia destas instituições. Por isso, na noite de cinco de Outubro fizemos detonar um dispositivo explosivo artesanal, na entrada do edifício da Secretaria do Meio Ambiente, localizada na rua via Gustavo Baz, em Tlalnepantla, Estado do México.

Com isto demonstramos (ainda que a imprensa o tenha silenciado), que voltamos com o nosso selo característico a atentar contra os que fazem com que este sistema siga o seu curso.

Isto é apenas um começo, avisamos que os explosivos vão continuar a detonar…

Pela defesa extrema da natureza selvagem!

Pelo ataque contra o sistema e os que o sustentam!

Reacción Salvaje
“Grupúsculo Caçador Noturno”

https://pt-contrainfo.espiv.net/2014/10/10/mexico-explosivo-detonado-na-secretaria-do-meio-ambiente-em-tlalnepantla/


 

De como a solidariedade ajuda o Sistema Tecno-industrial (S.T.)

A solidariedade que o S.T. implementa é sempre em benefício do seu próprio desenvolvimento. É o primeiro dos seus valores e é o motor que toda a civilização tem que ter para se manter na linha do progresso. A sociedade, que se apega a linhas morais estabelecidas como “aceitáveis”, entraría em colapso na falta dessa solidariedade. É por isso que o sistema impele as pessoas a serem amáveis, tolerantes, a aceitare a igualdade e a paz dentro dos seus princípios: para quê?, para que o sistema continue a funcionar.

A essa solidariedade podemos classificá-la como “solidariedade promíscua ou indiscriminada”, pois não enfatiza qualquer grupo social determinado, ou seja, é a solidariedade aplicável a todas as pessoas em geral.

No sistema convirá grandemente que as pessoas sejam cada vez mais solidárias com os “grupos vulneráveis”(tais como homossexuais, mulheres agredidas, afro-americanos desempregados, doentes terminais, pessoas encarceradas, crianças desfavorecidas, imigrantes desfavorecidxs, indígenas isoladxs, etc) pois dessa forma se perpetuarão os bons comportamentos de tais indivíduos e poderá haver espaço para uma convivência moralmente pacífica no seio dessa sociedade.

Quando um grupo de indivíduos ou um sujeito não adere a essa solidariedade indiscriminada e não a leva à prática, a consequência disso é que será visto como desadaptadx, anti-social ou pior ainda, enfermx mental. Porque razão? Porque o seu comportamento e conduta são antagónicos aos da sociedade, no seu conjunto. É por esse motivo que o/a inadaptadx ativx constitui um perigo para esse mesmo sistema, pois é uma ameaça que exista gente que não aceite os seus valores e que decida fazer o contrário do que o sistema promove.

Dentro do grupo de inadaptadxs ativxs, encontramo-nos nós, xs que não aceitamos essa solidariedade indiscriminada, xs que pomos em causa, rejeitamos e criticamos, com atos e discursos, os valores do S.T., valores como a solidariedade promíscua, a igualdade, o respeito ao/à “estranhx” e outros. Se pudessemos voltar a ver como é que tinha vivido o ser humano há milhares de anos sem a civilização, daríamos conta que existia a verdadeira solidariedade, essa que se dá entre o grupo parental e ou integrantes da tribo.

Para aquelxs que contradizem isso, concordamos que muitas tribos não se mostravam agressivas com outras pessoas estranhas ao clã (tais como os Yanomami): uma coisa é afirmar que em tais grupos ou culturas ancestrais eram aceites estranhxs, em uma ou outra situação, outra muito distinta é termos de aceitar e olhar com bons olhos toda a gente estranha que nos rodeia, por vivermos numa sociedade de massas.

Nós rejeitamos essa ideia, a que dita que só porque estamos compartilhando alguns aspectos da nossa vida com estranhxs (nesta sociedade de massas), temos que xs aceitar e ser “amigáveis” com todxs. Em vez disso, rejeitamos categoricamente a solidariedade indiscriminada, não apoiaríamos homossexuais, mulheres agredidas, americanos desempregados africanos, doentes terminais, pessoas encarceradas, crianças desfavorecidas, imigrantes desfavorecidxs, indígenas isoladxs, a menos que os conhecêssemos e que compartilhassemos um laço de qualquer tipo (mas real) com elxs. Não somos irmãzinhas de caridade, cristãos ou uma ONG! Estamos contra a igualdade: igualdade frente a quê? frente ao governo? frente à igreja? frente às sociedade? lixo!

Os nossos valores são contrários aos da civilização industrial:

– enquanto o sistema prega a solidariedade indiscriminada; nós pomos em prática a solidariedade seletiva.

– o sistema quer que sejamos altamente sociáveis; nós somos individualistas.

– o sistema obriga direta e indiretamente as pessoas a querer reformas, a querer mudar umas coisas por outras; nós rejeitamos essa ideia, o que queremos é o total conflito com o S.T., der como se der.

-o sistema impulsiona-nos ao artificial e à alienação, através das tecnologias sofisticadas; nós criticamos os resultados catastróficos que nos estão a deixar o artificial e essa alienação e pomos em prática a defesa e o respeito total à natureza salvagem.

-o sistema, em geral, cria condições para que as pessoas desviem o olhar ao que é bruto e sem sentido, e, portanto, lutem por algo pelo qual que não vale a pena dar a vida; nós temos que acertar num único alvo, o S.T.

-o sistema usa a violência como arma de dois gumes; nós usamo-la para o atacar e desestabilizar.

-o sistema pretende acabar a todo o custo com a liberdade humana (e da natureza em geral); nós lutamos por essa liberdade, lutamos por desenvolver as nossas capacidades e saciar as nossas necessidades biológica-evolutivas.

Dito isto, saímos para a luz como os ursos selvagens quando acaba o inverno, como os selvagens nús descendo da serra com armas de pedra e algaroba e nos juntamos ao chamado que vários grupos contrários ao S.T., estão a emitir recentemente no México (círculo de ataque-ponta de obsidiana, os editores das revista “Regresión” e de afiadas palavras de “Individualidades tendiendo a lo salvaje”, que desde há alguns anos emitem comunicados incitando,indiretamente, ao ataque), visto desde há anos termos vindo a realizar uma série de ameaças de bomba(telefónicamente, através de mails, e/ou com objetos suspeitos, que até agora têm sido só simulação, mas que geraram tensão), em várias instituições e academias que apoiam o progresso do S.T. – as nomear não se torna necessário mas é importante destacar que foram em Zacatecas, Michoacán, Puebla, Estado do México e o Distrito Federal.

Talvez seja a primeira e a última coisa que publicamente diremos, mas continuaremos com ações de intimidação e terror, e é possível que, um dia destes, daremos início à concretização de dispositivos explosivos para detoná-los dentro dos seus centros de investigação, recordem que os conhecemos bem já que temos lá abandonado objetos suspeitos, antes. Atentos que esta guerra não é um jogo …

Pelo ataque frontal.
Tudo pela natureza selvagem.
Grupo Atlatl.

Significado de termos:

Sistema tecno-industrial: o conceito refere-se à composição real de estruturas tecnológicas e industriais, nas quais se baseia a civilização, assim como se refere também às estruturas morais que este implementa para a boa convivência social.

Civilização industrial: o termo civilização industrial, refere os grandes assentamentos urbanos e sedentários de hoje em dia, que compartilham o final do desenvolvimento industrial, científico e tecnológico.

Sociedade de massas: é a aglomeração de um grupo considerável de pessoas inter-atuando anormalmente entre elas.

Liberdade: é a capacidade da qual necessita a natureza para continuar a ser o que é, selvagem. Sem liberdade perde-se tudo, com liberdade cumpre-se o objetivo de viver e morrer.

Natureza selvagem: é a representação de tudo o que não está domesticado e que. por consequência, não é artificial.

https://pt-contrainfo.espiv.net/2014/05/07/mexico-de-como-a-solidariedade-ajuda-o-sistema-tecno-industrial-s-t/